Energia nuclear não é bicho raro, diz diretor da Eletronuclear

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Foto: Divulgação

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Com 430 usinas operando em 30 países, que em conjunto geram 13% da energia consumida no mundo, a energia nuclear “não é um bicho raro”, disse hoje (11) à imprensa. o Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães.

“Estamos falando de um setor industrial que tem dado contribuição importante para a geração de energia”,resssaltou Guimarães. Ele adiantou que dará palestra na Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos, em Pernambuco, na próxima segunda-feira (15), sobre desmistificação e desenvolvimento da energia nuclear. O seminário envolverá os principais segmentos da indústria pesada do país, como petroquímico, óleo e gás, energia, siderurgia, ferroviário. “É o reconhecimento do setor nuclear como ator importante dentro desse contexto da indústria pesada.”

Para o diretor da Eletronuclear, a necessidade de mais uso da energia nuclear na matriz energética deriva, em grande parte, dos problemas envolvidos na redução da emissão de gases de efeito estufa. Isso “porque a geração nuclear é a única forma de energia de base que não emite gases de efeito estufa”, disse Guimarães. Para ele, energia de base é a energia despachada, disponível todo ano, o ano todo. “Então, o papel que ela já desempenha precisará se expandir, se realmente a humanidade tomar ações concretas para reduzir, de modo eficaz, a geração de gases de efeito estufa.”

No Brasil, o problema existe, mas não é grave, porque a matriz de geração elétrica é a mais limpa do mundo, devido à grande contribuição da geração hidrelétrica. Guimarães destacou que os fenômenos climáticos observados nos últimos tempos demonstram que essa contribuição tende a diminuir no longo prazo, porque já não há condições de construir grandes usinas hidrelétricas com reservatórios. “As novas hidrelétricas são praticamente a fio d’água e, portanto, muito sensíveis a esse tipo de mudança climática.”

Ele acredita que a geração hidrelétrica vai continuar sendo a protagonista do setor elétrico nacional ao longo do século 21, mas ressalta que sua participação relativa deve cair. Essa redução terá de ser compensada pelo aumento da geração elétrica de base, que destaca a geração nuclear, e das energias renováveis, em especial a energia eólica (dos ventos).

O crescimento da geração elétrica nuclear no mundo é capitaneado pelos principais países em desenvolvimento, liderados pela China e Índia, que “estão em situação bastante similar à do Brasil”. “Os cinco [países do] Brics têm energia nuclear em sua matriz, e estão expandindo a geração elétrica nuclear”. Dos cinco integrantes do grupo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), China, Rússia e Índia apresentam expansão acelerada da energia nuclear, enquanto Brasil e África do Sul têm expansão planejada, mas ainda não acelerada. “É difícil imaginar um cenário em que a geração nuclear não se expanda e seja um cenário de prosperidade para os países em desenvolvimento”, acrescentou o diretor da Eletronuclear.

Os países desenvolvidos não têm necessidade de expansão, porque já atingiram níveis de consumo per capita (por habitante) de eletricidade elevados. O problema desses países é a manutenção de sua capacidade de geração, minimizando gases de efeito estufa. Aí, a geração nuclear aparece com um importante papel a desempenhar – defendeu.

O consumo per capita de energia elétrica no Brasil está em torno de 2,5 mil quilowatts-hora (kWh) por habitante/ano. Em Portugal, o consumo por pessoa soma 5 mil kWh; na Espanha, 7 mil; na Alemanha, quase 9 mil; e nos Estados Unidos, cerca de 10 mil. Na Índia e na China, o consumo por habitante é inferior ao do Brasil.

Em termos de geração nuclear, a participação na matriz energética é de aproximadamente 3% no Brasil. Na  China e na Índia, apesar de estarem construindo um grande parque nuclear, a contribuição é menor que a brasileira. Na Espanha, a participação da energia nuclear na matriz totaliza 25% e nos Estados Unidos e Alemanha cerca de 20%, cada.

Atualmente, das 70 usinas nucleares em construção no mundo, 27 estão na China, nove na Rússia, sete na Índia e uma no Brasil – a Usina Nuclear Angra 3.