State Grid fecha compra do controle da CPFL

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Aprovada a venda do bloco de controle da CPFL Energia para a chinesa State Grid, o próximo passo será a realização de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) dos minoritários, também por R$ 25 por ação. A operação, porém, dificilmente acontecerá ainda em 2016.

A expectativa no mercado é que a OPA tenha forte aceitação dos minoritários, resultando no eventual fechamento de capital da CPFL. A elétrica, que se destaca como a maior companhia integrada privada de energia do país, é uma das preferidas dos investidores dentro do setor elétrico.

Segundo um analista que pediu para não ser identificado, muitos investidores que ficarão “órfãos” da CPFL devem migrar para a EDP Energias do Brasil, que tem um perfil parecido com o da companhia: é uma empresa privada e integrada de energia, com atividades de distribuição também concentradas região Sudeste.

Desde que a oferta da State Grid pela participação da Camargo Corrêa no bloco de controle foi anunciada, em 1º de julho, as ações de várias companhias dessa atividade tiveram forte valorização, devido à expectativa de uma movimentação mais forte no mercado de fusões e aquisições no setor elétrico. As ações da Light valorizaram 47,47% desde então até o fechamento de ontem; a Eletropaulo ganhou 29,31% e a PNB da Eletrobras subiu 43,63%.

Os investidores da CPFL, porém, devem migrar para empresas menos alavancadas. É o caso de papéis como Engie (antiga Tractebel), a EDP Energias do Brasil e a Equatorial, que já é vista como um dos melhores ativos do setor.

Nesse meio tempo, a Energisa fez uma oferta pública de ações e conseguiu captar R$ 1,53 bilhão na operação com a emissão de units. A Neoenergia pode ser a próxima da fila. Recentemente, o presidente da Previ, Gueitiro Genso, disse ao Valor que o fundo avalia listar a companhia na bolsa em 2017. A Previ tem 49,01% das ações da Neoenergia, e a emissão de ações teria a finalidade de criar mais liquidez para os papéis da elétrica.

As ações da CPFL fecharam ontem cotadas a R$ 24,31, leve alta de 0,21%. O preço oferecido pela State Grid representa prêmio de apenas 2,83% em relação ao fechamento de ontem, mas porque as ações já tiveram valorização de 18,3% desde que a operação foi anunciada.

De acordo com analistas, nessa etapa, os acionistas da CPFL Energia encaram as suas ações mais como um investimento de “renda fixa”, apenas aguardando o desfecho da operação.

Ontem, o Energia São Paulo Fundo de Investimento em Ações (Energia SP) informou que seus cotistas aprovaram a venda da participação no bloco de controle da CPFL à State Grid. O Energia SP é controlador da Bonaire, formado pelos fundos Petros, Sistel, Sabesprev e Fundação Cesp e detinha uma participação de 14,9% do capital da CPFL Energia, segundo o último formulário de referência. A participação vinculada ao acordo de acionistas é de 11%.

A Previ, que é dona de 29,4% da elétrica, também aceitou vender sua participação vinculada ao controle, de 19,3%, para o grupo chinês. Com isso, a State Grid já acertou a compra de 53,3% da CPFL Energia, uma operação de cerca de R$ 13,5 bilhões. Os acionistas da Previ, porém, já sinalizaram que vão vender também sua participação que não está vinculada ao controle na OPA.

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