Consumo de energia fechará 2016 com crescimento zero

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A carga de energia deve fechar estável em 2016, confirmando a paralisia da economia brasileira, para a qual apostava-se a retomada do crescimento, por causa da crise política continuada, entre outras razões. Os números indicam que a evolução da demanda de energia estacionou a reboque do atual quadro de inação da atividade em diversos setores.

Carga de energia pode ser classificada como consumo bruto, ou seja, o consumo do país, mais as perdas técnicas e comerciais, A previsão é do ONS, que estima um crescimento zero da carga em 2016 ante 2015, ratificando o frágil desempenho da economia. Em 2015, o consumo já havia sido 1,8% menor do que em 2014.

Inicialmente, a previsão era de que o consumo de energia crescesse 1% este ano, mas o cenário mudou com a manutenção da retração econômica. Além disso, a EPE projetou percentuais mais conservadores de crescimento do PIB para os próximos anos, o que refletiu na elaboração do cenário de médio prazo.

Segundo o diretor-geral do ONS, Luiz Eduardo Barata, o lado bom desse número é que o país fica com mais “folga” para planejar a expansão da oferta e discutir a matriz energética, mas por outro lado, o risco de faltar energia fica completamente afastado por causa da inação da economia.

“Para o país, é muito ruim”, disse Barata, em entrevista coletiva para fazer um balanço de fim de ano da operação do setor. Nessa linha, de acordo com ele, mesmo o Nordeste, que vive os efeitos de uma seca que já dura mais de três anos, não corre risco de abastecimento.

Barata explicou que em determinados momentos do dia, cerca de metade da carga de energia do Nordeste é atendida pelas eólicas – em média, as usinas geram o equivalente a uma faixa entre 30% e 40% da carga do submercado. O restante é dividido entre a geração hidrelétrica, as termelétricas e as linhas de transmissão que chegam ao Nordeste.

Cenário tranquilo para resolver problemas

Ainda de acordo com Barata, a tranquilidade energética permite que o governo possa preparar a matriz energética com mais calma, sem açodamentos. Uma das questões que vem sendo defendidas pelo governo – e reiteradas pelo ONS – é a retomada da discussão do papel da hidreletricidade na matriz energética. Para o executivo, é preciso esgotar todo e qualquer debate sobre qualquer usina antes de se decidir sobre sua construção.

Neste caso, Barata reiterou sua visão sobre a necessidade de tirar São Luiz do Tapajós do papel, mas na sua avaliação, o debate hidrelétrico também deve passar por usinas “não-amazônicas”, com ou sem reservatórios. Da mesma forma, a análise da possibilidade de realização de leilões regionais também ganha mais folga – embora ele não veja espaço no momento para tal medida.

“Pode haver uma necessidade tópica de térmica, pode haver necessidade no Nordeste para atender as eólicas, mas isso está além dos cinco anos”, disse Barata. O planejamento da operação feito pelo ONS tem sempre como horizonte máximo de cinco anos, ficando quaisquer previsões acima desse prazo a cargo da EPE.

Mesmo a situação indefinida da Abengoa também tem mais margem para discussão, de acordo com o executivo. Há “sete ou oito” projetos de transmissão arrematados pela espanhola em dificuldades financeiras que estão paradas, entre as quais o chamado “linhão pré-Belo Monte”, que conecta a megausina ao Nordeste brasileiro, com capacidade de escoamento de cerca de 2 mil MW.

O processo está nas mãos da Aneel e do MME, que esperam uma “saída de mercado” ara o impasse – leia-se aí, uma eventual compra dos ativos por outros empreendedores. Barata citou notícias veiculadas na imprensa segundo as quais a Equatorial e o banco BTG Pactual estão se articulando para a compra desses ativos.