Eletrobras terá desafio para privatizar distribuidoras

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O sucesso do leilão da Celg Distribuição (Celg D), vencido ontem pela Enel, pode ser considerado uma vitória para o governo de Michel Temer, mas também destacou os desafios que a Eletrobras terá na privatização das outras seis distribuidoras do grupo.

A ausência de mais competidores no leilão da Celg D, considerada a melhor ­ ou a menos pior ­ distribuidora da Eletrobras, serve de alerta para o governo, que pretende se desfazer das outras seis distribuidoras do grupo estatal em 2017. Entre elas está a polêmica Amazonas Energia, distribuidora responsável por uma dívida bilionária entre Eletrobras e Petrobras, referente à compra de combustíveis para geração de energia. Além disso, a empresa ainda não teve o processo de desverticalização (separação das atividades de geração e distribuição) concluído.

O plano da Eletrobras é privatizar em 2017 as distribuidoras Cepisa (Piauí), Ceal (Alagoas), Eletroacre, Ceron (Rondônia), Boa Vista Energia (Roraima) e Amazonas Energia. Há um entendimento no governo de que a venda da Amazonas Energia e Boa Vista pode não acontecer junto das demais, justamente por envolverem mais complicações e nós que precisarão ser desatados.

Em entrevista coletiva realizada depois do leilão de ontem, porém, o secretário­executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Paulo Pedrosa, disse ter grande confiança no processo de privatização das empresas em 2017.

Ele explicou que, diferentemente do processo da Celg D, em que se falou de “transferência de controle acionário”, a venda das demais distribuidoras vai usar um dispositivo legal que aponta a privatização das empresas. “Isso nos dará a possibilidade de associar a venda a um novo contrato de concessão. Trabalharemos nesse novo contrato para criar condições de equilíbrio para novos investimentos”, disse.

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, destacou ainda que haverá um trabalho para capturar os benefícios que essas empresas podem alcançar. “O que é visto como ruim nas distribuidoras é uma oportunidade para um novo operador”, disse Ferreira, explicando que isso vai potencializar as oportunidades.

Ferreira tem destacado também as oportunidades do investimento na Celg D, pelo fato de a empresa estar em um Estado com crescimento do consumo, além de envolver potenciais de ganhos com eficiência. No caso das demais distribuidoras, as oportunidades para ganhos são ainda maiores, uma vez que os problemas também são grandes.

Para o diretor executivo do grupo Safira Energia, Mikio Kawai Junior, o resultado da venda da Celg D já é considerado um sucesso para o governo e para a Eletrobras. “É um cenário de alento para o setor, porque [as operações de venda] já deixaram de ser meramente intenção e viraram algo concreto”, disse. “Houve sucesso bastante significativo, mas vão ter de fazer alguma coisa nessa linha para facilitar a venda das demais distribuidoras do sistema Eletrobras”, completou.

Antes de tudo, a venda das distribuidoras vai depender da modelagem da disputa, se serão oferecidas todas em um pacote ou individualmente, e a questão dos preços, que devem ser inferiores ao valor estabelecido para a distribuidora de energia goiana.

O leilão da Celg D abre caminho para a venda das outras distribuidoras. Na Eletrobras, o entendimento é que existe, sim, interesse pelas empresas. No entanto, dificilmente elas serão licitadas por um valor alto como os R$ 2,187 bilhões da Celg D. O cronograma de vendas será definido de forma que sejam concluídas ainda em 2017 e a estatal sabe que não pode errar no cálculo dos preços.