Rodrigo Sauaia: Uma fusão entre teoria, prática e dedicação

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Rodrigo Sauaia, presidente executivo da ABSOLAR, fala sobre sua trajetória profissional, seu trabalho à frente da Associação e as oportunidades e desafios para consolidar a fonte solar fotovoltaica no Brasil

 

A energia é um dos recursos mais fundamentais para o desenvolvimento da humanidade. Com o passar dos séculos, as sociedades vêm aprimorando a exploração das diferentes fontes energéticas. Nesse contexto, fica cada vez mais evidente que o uso da energia precisa ser condizente não apenas com as necessidades econômicas imediatas dos indivíduos, mas também com a sustentabilidade de longo prazo de nosso planeta, cujos recursos são finitos e interdependentes.

 

“Este é um debate fascinante”, admite Rodrigo Sauaia, um paulistano que se apaixonou por esta área do conhecimento desde os tempos de graduação, quando cursou Bacharelado e Licenciatura em Química, na Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo. Nos cursos de graduação, começou a estudar a relação entre as sociedades, seus indivíduos e as diferentes formas de aproveitamento da energia. “Naquele momento, me deparei com a área de conversão de energia, aprofundando meus estudos em células solares sensibilizadas por corantes, conhecidas tecnicamente como células solares fotoeletroquímicas. Desse ambiente acadêmico, técnico-científico e teórico, veio meu primeiro brilho de interesse pela tecnologia de conversão da energia do sol em energia elétrica. Reconheci nas fontes renováveis em geral, e na solar em específico, um caminho seguro e competitivo para o nosso futuro e queria aprender mais sobre o tema”. Ao concluir a graduação com dois diplomas e atribuições nas áreas tecnológica, biotecnológica e licenciatura, Sauaia foi condecorado com a Medalha Lavoisier de Melhor Aluno concedida pelo Instituto de Química da USP e Conselho Regional de Química – IV Região.

Rodrigo Sauaia - Palmas, Tocantins

Entendendo as fontes renováveis como cada vez mais estratégicas no panorama energético e elétrico mundial e visando complementar sua formação acadêmica e ampliar seus horizontes, Sauaia buscou o conhecimento e a experiência internacional europeias em energias renováveis. Fez Mestrado Científico pelo programa intereuropeu “European Master in Renewable Energy”, com passagens na Loughborough University e Northumbria University, ambas no Reino Unido, e pesquisas no Swiss Federal Institute of Technology (ETH Zürich), na Suíça, quando ampliou seus estudos às principais fontes renováveis, incluindo hidráulica, solar (heliotérmica e fotovoltaica), eólica, biomassa, biogás, marés e ondas, em seus aspectos técnicos, econômicos e ambientais. “Naquele contexto, identifiquei na energia solar fotovoltaica uma tecnologia impressionantemente elegante e versátil, que estava em fase de forte expansão na Europa. Apesar de ainda embrionária no Brasil, era notável a grande oportunidade de desenvolvimento que um país com as nossas características e recursos teria para a tecnologia.”

 

Especializou-se no tema durante o Mestrado, quando pesquisou e desenvolveu processos de fabricação para células solares fotovoltaicas de filme fino. “Foi a minha primeira migração de tecnologia. Trabalhei no ETH Zürich, na Suíça, em parceria com uma grande empresa do segmento, focando nesta tecnologia de segunda geração, em especial dispositivos CIGS (disseleneto de cobre, índio e gálio), uma área promissora no setor solar fotovoltaico, tanto no mercado quanto na academia. Nosso objetivo era eliminar o uso de cádmio no processo produtivo, aumentando a sustentabilidade da célula solar fotovoltaica e reduzindo a pegada ambiental do processo de fabricação.”

 

Depois de concluir o Mestrado com distinção acadêmica, foi convidado a continuar na Europa. Recebeu quatro propostas, inclusive uma para permanecer na Suíça como pesquisador e fazer Doutorado. Também foi chamado para lecionar em energias renováveis na Espanha, para aprofundar os estudos na Alemanha e para participar de um programa de treinamento de lideranças em Portugal, desenvolvido em conjunto entre uma universidade do país e o Massachusetts Institute of Technology (MIT).

 

“Refleti profundamente sobre o assunto e, apesar de muito contente pelos convites, decidi recusar as propostas e voltar ao Brasil em 2009. Eu queria estar perto do desenvolvimento do mercado brasileiro de energia solar fotovoltaica, para conseguir contribuir de forma mais presente com a estruturação do setor e a superação dos gargalos existentes até então.”

 

De volta à terra natal, aonde o mercado solar fotovoltaico ainda era bastante pequeno, obteve o reconhecimento do diploma europeu de Mestre em Engenharia pela Escola Politécnica da USP (Poli-USP) e deu sequência à sua especialização em energia solar fotovoltaica por meio de um Doutorado. Após visitas a diferentes centros de pesquisa e universidades, encontrou no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Tecnologia de Materiais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) um ambiente dinâmico para se aprofundar na principal tecnologia da fonte: migrou desta vez para o silício cristalino, presente em mais de 90% dos sistemas solares fotovoltaicos do planeta, pesquisando a fabricação de células fotovoltaicas de alta performance com uso de processamento a laser.

 

Naquela época, o processamento laser de células solares era um tema quente na Europa. Para se aprofundar com maior intensidade e trazer novos conhecimentos ao país, Sauaia buscou o apoio de seus orientadores brasileiros e se candidatou a um programa de pesquisa na Alemanha, onde fez parte do doutorado. “Fui contemplado com uma bolsa de cooperação internacional Capes/DAAD/CNPq, junto ao Fraunhofer-Institut für Solare Energiesysteme (Fraunhofer ISE), um instituto de pesquisa que é uma das “Mecas” internacionais em energia solar fotovoltaica. Somente nesta área, o instituto alemão tinha mais de 1.200 profissionais pesquisando os mais diferentes aspectos da tecnologia, dois quarteirões de edifícios unicamente dedicados a energia solar fotovoltaica. Foi fantástico e inesquecível.”

 

“Refleti profundamente sobre o assunto e, apesar de muito contente pelos convites, decidi recusar as propostas e voltar ao Brasil em 2009. Eu queria estar perto do desenvolvimento do mercado brasileiro de energia solar fotovoltaica, para conseguir contribuir de forma mais presente com a estruturação do setor e a superação dos gargalos existentes até então.”

 

LIDERANÇA INSTITUCIONAL

Sauaia atua no setor desde uma época em que ainda não existia uma associação específica para representar empresas e profissionais da fonte solar fotovoltaica. Também inexistia massa crítica relevante no país em empresas e negócios deste segmento. “Era um momento de grandes oportunidades, muita motivação e empenho, mas de poucas perspectivas no curto prazo.”

 

Apesar do histórico técnico e científico, ele sempre acompanhou de perto as questões de mercado, regulatórias e legais relacionadas à fonte solar fotovoltaica no Brasil e no mundo. Simultaneamente às obrigações acadêmicas, participou ativamente dos debates e processos regulatórios que serviriam de base para o avanço da energia solar fotovoltaica no Brasil. Desde a primeira consulta pública para o estabelecimento da Resolução Normativa nº 482/2012, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), à discussão sobre os diferentes modelos de desenvolvimento para a geração distribuída a partir de fontes renováveis adequados ao Brasil.

 

Pelo grande conhecimento na área e com muita disposição, Sauaia propôs inúmeras sugestões e recomendações baseadas em melhores práticas internacionais adaptadas à realidade brasileira, além de trocar experiências com outras entidades e especialistas da área. Esta atuação intensa em prol da fonte foi mantida mesmo quando esteve pesquisando na Alemanha. “Lembro de diversas reuniões de madrugada, por conta do fuso horário, debatendo com especialistas brasileiros das mais variadas áreas nossas propostas para o setor. O trabalho era intenso, mas foi incrivelmente gratificante ver a Resolução Normativa nº 482/2012 sair das consultas e audiências na ANEEL para se tornar uma realidade. Foi, sem dúvidas, um marco histórico e uma mudança de paradigma para o país. A ANEEL merece o nosso reconhecimento por esta ação.”

 

Rodrigo Suaia (diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica – Absolar – São Paulo)

 

De volta ao Brasil, enquanto redigia de sua tese de doutorado, concluída com honras pela PUC-RS, Sauaia deu início a uma mudança de rota em sua carreira profissional. Atuou como consultor especialista convidado e coordenou a Força-Tarefa de Tributação do Grupo Setorial Fotovoltaico da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), entidade que reunia empresários do setor até então.

 

Naquela época, muitos empresários entendiam que era necessária a estruturação de uma entidade específica para representar de forma unida e profissionalizada o setor solar fotovoltaico brasileiro, o que motivou um grupo de empresários e profissionais a liderar o processo de fundação da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). A associação nacional foi fundada oficialmente em 2013. “Tenho muito orgulho e honra de ter sido um dos nove fundadores da Associação, tendo sido convidado a liderar as suas atividades executivas. Tenho estado à frente da ABSOLAR desde então, com enorme motivação e garra, primeiro como Diretor Executivo e agora como Presidente-Executivo.”

 

No âmbito internacional e à frente da ABSOLAR, Sauaia também participou do amadurecimento e da fundação de outra entidade referência para o setor solar fotovoltaico: o Global Solar Council (GSC), uma entidade multilateral internacional que representa atualmente entidades de 40 países, incluindo associações fotovoltaicas nacionais e regionais, bem como grandes corporações deste mercado. A iniciativa que foi costurada por quatro anos antes de se tornar realidade, tendo se iniciado antes mesmo da fundação da ABSOLAR, foi finalmente lançada durante a COP21 (21ª Conferência do Clima), em dezembro de 2015, na cidade de Paris, na ocasião da assinatura do Acordo Climático de Paris por 195 nações.

 

À frente da ABSOLAR, o ritmo de trabalho de Sauaia é intenso. A rotina de trabalho inclui viagens no Brasil e no mundo para participação em audiências públicas, debates, eventos e reuniões estratégicos ao setor, agenda semanal de entrevistas com jornalistas, coordenação da equipe interna da ABSOLAR, supervisão dos grupos de trabalho da associação, entre outras atividades. Somente em 2016, ele esteve representando a ABSOLAR em 15 estados brasileiros e oito países estrangeiros, tendo participado de mais de 200 reuniões de trabalho no ano, sempre trocando experiências e levando a bandeira da energia solar fotovoltaica por onde vai.

 

No campo institucional, continua sendo uma prioridade de Sauaia a educação e conscientização das autoridades e da população brasileira sobre a energia solar fotovoltaica, suas características, benefícios e vantagens. Como parte deste esforço, a ABSOLAR inaugurou em 2016, em parceria com 16 de seus associados, um sistema solar fotovoltaico no telhado do edifício-sede do Ministério de Minas e Energia, em Brasília. As empresas associadas envolvidas no projeto doaram equipamentos e serviços para a instalação, sem custos ao poder público. “O trabalho foi desenvolvido por meio de um termo de cooperação técnica, com enorme sucesso. Não só demonstramos com palavras, mas com ações objetivas e concretas, o quanto acreditamos na tecnologia solar fotovoltaica e em sua importância para o país.” E os ganhos da iniciativa já podem ser mensurados também na economia do poder público, uma vez que o sistema já contribui com a redução dos gastos com energia elétrica do MME entre 5% e 7%.

 

“Na ABSOLAR, é a dedicação e o trabalho de todo o nosso time e de nossos associados que nos fazem atingir nossos objetivos. São inúmeras empresas e profissionais verdadeiramente apaixonados pela energia solar fotovoltaica. Essa força e energia positiva não tem igual.”

 

“Lembro de diversas reuniões de madrugada, por conta do fuso horário, debatendo com especialistas brasileiros das mais variadas áreas nossas propostas para o setor. O trabalho era intenso, mas foi incrivelmente gratificante ver a Resolução Normativa nº 482/2012 sair das consultas e audiências na ANEEL para se tornar uma realidade. Foi, sem dúvidas, um marco histórico e uma mudança de paradigma para o país. A ANEEL merece o nosso reconhecimento por esta ação.”

 

UM IDEALISTA

Aos 33 anos de idade, Sauaia é hoje considerado uma referência no setor solar fotovoltaico brasileiro, com atuação que resultou em reconhecimentos como a Medalha da Ordem do Mérito Legislativo da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, o Recharge News Thought Leader Awards, entre outros, tendo sido eleito uma das 100 personalidades mais influentes do setor de energia em 2016 pelo Grupo Mídia e Revista Full Energy. Um executivo de perfil jovem e dinâmico, com facilidade de comunicar suas ideias e dialogar com autoridades e que trabalha com uma abordagem construtiva e propositiva. Apesar da trajetória especializada em energia solar fotovoltaica e do conhecimento técnico, regulatório, legislativo e de mercado, Sauaia pondera que há muito ainda a ser feito e aprendido. “Reconheço que o aprendizado é permanente e a cada dia podemos colher novos frutos para um contínuo desenvolvimento pessoal e profissional. O importante, a meu ver, é manter a curiosidade e interesse sempre ativos.”

 

A opção de Sauaia em dedicar-se à representação do setor produtivo e não à vida acadêmica, tendo no currículo Mestrado e Doutorado com passagem em algumas das principais instituições internacionais em energias renováveis, não é usual no Brasil. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), menos de 2% dos doutores brasileiros atuam fora do ambiente acadêmico ou governamental, número bastante inferior ao de países mais desenvolvidos.

 

“É muito ruim ver este distanciamento entre o universo acadêmico e os setores produtivos no país. Precisamos trabalhar, tanto como profissionais quanto como nação, para construir uma ponte para cruzar este abismo. Procuro fomentar uma maior interação e troca de experiências entre empresas que atuam neste mercado de alta tecnologia e ambiente acadêmico, especialmente no contato com os nossos associados, uma vez que contamos com instituições acadêmicas, centros de pesquisa e empresas na ABSOLAR. Aprendo muito ao longo do nosso trabalho com os profissionais deste segmento, muitos deles com vasta bagagem e experiência em outros mercados e que migraram recentemente para a solar fotovoltaica, pela oportunidade que representa ao país. Por isso, no setor solar fotovoltaico, ensinamos e aprendemos diariamente”, diz.

 

Para ele, o fato de ser um executivo com perfil jovem não representa um obstáculo significativo para a sua atuação no setor elétrico brasileiro. “As grandes lideranças estejam elas no governo, no mercado, na academia, na sociedade civil ou na mídia, preocupam-se em primeiro lugar com a competência, desempenho e resultado de suas equipes e instituições com as quais mantém interface. Fatores como idade, gênero, raça, orientação sexual ou religiosidade não podem e nem devem fazer parte da métrica de um setor elétrico brasileiro moderno e progressista. Especificamente, uma vez que trabalho diretamente com uma fonte renovável e emergente, existe normalmente bastante abertura, interesse e curiosidade dos interlocutores sobre o tema. Busco trazer uma oxigenação de ideias e conceitos em minha atuação, apresentando propostas alinhadas às medidas que têm trazido resultados práticos e objetivos para a fonte, no país e no mundo.”

 

Para Sauaia, não existe fórmula mágica para o sucesso. Uma trajetória bem-sucedida passa por muito estudo e trabalho, com afinco e dedicação, acompanhados de uma pitada de sorte. “Ninguém se desenvolve sozinho, fechado em suas próprias ideias. O aperfeiçoamento pessoal e profissional passa, fundamentalmente, pelo aprendizado, através de conhecimentos compartilhados por pessoas e instituições mais experientes e capacitadas. É um exercício permanente de humildade, reconhecendo que nunca sabemos ou saberemos tudo de antemão ou sozinhos.”

 

O que alimenta a sua motivação são os propósitos que estabelece ao longo da vida e a confiança de que o trabalho que realiza é relevante. “Diria que tenho um pouco de idealismo no coração: busco contribuir para a construção de um país melhor nas esferas social, econômica e ambiental, tendo o desenvolvimento sustentável como pilar e a energia solar fotovoltaica como ferramenta estratégica.”

 

Este sentimento de contribuir com um Brasil melhor o levou a não optar por construir uma carreira fora do país. “Espero que, com o trabalho que desenvolvemos em prol da energia solar fotovoltaica – junto à nossa equipe da ABSOLAR e ao lado de nossos associados, com entidades governamentais, parlamentares e instituições públicas e privadas –, possamos contribuir com o desenvolvimento do nosso país e melhoria da sociedade brasileira.”

 

E muitos são os desafios. Tanto no Brasil, quanto em vários outros países da América Latina e do mundo, mais de 1 bilhão de habitantes do planeta ainda não tem acesso à energia elétrica, situação que prejudica profundamente o desenvolvimento e a qualidade de vida destes indivíduos e suas famílias. A disponibilidade de energia elétrica é estratégica para uma nação e sua população, não apenas para que possa ser inserida no mundo digital ou da tecnologia, mas, antes mesmo, permitindo que as pessoas vivam em melhores condições básicas. “Democratizar o acesso à energia elétrica, de forma que não se destrua o meio ambiente, é um dever ético e moral das nossas sociedades e governantes”. Diante deste desafio, as fontes renováveis e de baixo impacto ambiental – como a solar fotovoltaica – ganham grande relevância, especialmente com o advento de novas tecnologias que permitem uma integração cada vez maior destas fontes nas matrizes elétricas de regiões e países, como armazenamento, monitoramento e gestão de demanda e oferta.

 

Neste contexto, chamar as fontes solar fotovoltaica, eólica e biomassa de “fontes alternativas” já seria ultrapassado. O correto seria classificá-las como “novas fontes renováveis” ou “fontes renováveis modernas”. “O racional é outro. Alternativa é algo que substituiu uma outra coisa. No entanto, as fontes solar fotovoltaica, eólica e biomassa são as novas fontes renováveis, porque trabalham de forma complementar e sinérgica, ou seja, em conjunto com outras fontes maduras, como a hidráulica, dentro de novas configurações, aplicando novas tecnologias e embasadas por novos conceitos operacionais e de planejamento. São também as fontes renováveis modernas, pois estão se tornando as fontes mais competitivas dentre as opções disponíveis no mercado. O paradigma mudou”, esclarece.

 

Na opinião do presidente executivo da ABSOLAR, o Brasil ainda está em fase emergente na aplicação da energia solar fotovoltaica. Apesar disso, acredita que nos últimos anos o país deu passos importantes do ponto de vista regulatório e legal, além do amadurecimento do mercado e da cadeia produtiva. “O setor solar fotovoltaico brasileiro se uniu, se estruturou e está construindo novas rotas para a sua trajetória no país. Buscamos não apenas apontar os problemas ou gargalos, mas trabalhar ativamente e em parceria para planejar e colocar em prática soluções que nos permitam avançar”, afirma Sauaia, embora complemente que “ainda estamos em trajetória de desenvolvimento e longe de nosso real potencial no país”.

horário de verão

RITMO ACELERADO

Nos últimos três anos e meio de atividades, desde que esteve à frente da ABSOLAR, Sauaia empenhou boa parte da sua energia e tempo aos trabalhos da ABSOLAR. Apesar disso, não considera que isso tenha representado um fardo, uma vez que se dedicou àquilo que é sua paixão. “Trabalhar pela consolidação da fonte solar fotovoltaica no Brasil é extremamente desafiador, pois estamos construindo este setor praticamente do zero. Não havia regulamentação adequada, faltava financiamento, havia amplo desconhecimento sobre a tecnologia, suas características e seu preço real, não havia mobilização política sobre o tema. Porém, a cada reunião, evento ou atividade, podemos observar os desdobramentos e as repercussões positivas deste trabalho, vendo os frutos se concretizando ao longo dos anos. Isso nos traz ainda mais motivação para seguir em frente em prol do setor.”

 

No entanto, relata que não é fácil balancear a correria da profissão com a vida pessoal. “Faço um esforço consciente para buscar o equilíbrio.” Embora seja bastante reservado no aspecto pessoal, Sauaia gosta muito de viajar e conhecer outras culturas. Fala fluentemente quatro idiomas: português, inglês, espanhol e alemão, e busca tempo na agenda atribulada para aprender um quinto, o francês.

 

Com ascendência libanesa e portuguesa, Sauaia é filho de um engenheiro eletrônico e professor universitário livre docente e de uma psicóloga. Ele gosta da pujança e da diversidade de sua cidade natal, São Paulo, principalmente por conta da gastronomia e cultura. “Adoro a variedade de sabores, aromas, imagens e sons que a cidade proporciona”. Mas, sempre que pode, foge do concreto e do cinza da capital paulista em busca do contato com a natureza, parte muito presente e querida da sua infância. Para ele, duas dicas nacionais diferentes e imperdíveis são Fernando de Noronha, em Pernambuco, para os amantes de praias e mergulho, e Monte Verde, em Minas Gerais, para quem prefere um clima montanhoso, caminhadas e cachoeiras. “São lugares para descansar e sair do ritmo frenético de São Paulo.”

 

Sauaia também aprecia diferentes estilos musicais, especialmente a música clássica, jazz, blues, MPB e samba de raiz. “Passei a valorizar mais os ritmos brasileiros em especial depois de morar por anos fora do país”, relembra. Dentre seus hobbies, destacam-se os jogos de tabuleiro e cartas com os amigos, a leitura e o arqueirismo (tiro com arco). “Aprendi o tiro com arco no Reino Unido e adorei. É um esporte que exige concentração, precisão, preparo físico, controle da respiração e consciência emocional. É um esporte ainda pouco praticado no país, que agora está começando a ser mais difundido”, comenta. Também fez parte do time de xadrez do Instituto de Química, da USP, competindo em jogos esportivos da Universidade. Sauaia já gostava de desafiar os colegas para uma rodada ao tabuleiro desde os tempos de colégio. “Algumas coisas em especial me atraem no jogo, que não depende da sorte. É um jogo de habilidade intelectual, estratégia, controle emocional e conhecimento técnico.”

Rodrigo Sauaia 3

Rodrigo Sauaia

Cargo: Presidente-Executivo da ABSOLAR

Cidade Natal: São Paulo (SP)

Idade: 33 anos

Hobbies: música, jogos de tabuleiro e cartas com os amigos, leitura e arqueirismo (tiro com arco)

Músicas preferidas: música clássica, jazz, blues, MPB e samba de raiz

Dicas de viagem: Fernando de Noronha, PE (para quem gosta de praia) e Monte Verde, MG (para quem gosta de montanha)

Projeto de vida: “Diria que tenho um pouco de idealismo no coração: busco contribuir para a construção de um país melhor nas esferas social, econômica e ambiental, tendo o desenvolvimento sustentável como pilar e a energia solar fotovoltaica como ferramenta estratégica.”