A Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (NUCLEP) retomou, em janeiro, a produção de estacas torpedo em sua unidade industrial de Itaguaí (RJ), reforçando sua posição como fornecedora estratégica da Petrobras em projetos offshore de alta complexidade. A fabricação atende contratos em execução firmados entre 2023 e 2025 e está alinhada às prioridades de investimento da estatal em campos considerados centrais para a expansão e manutenção da produção nacional de petróleo.
As estacas torpedo integram sistemas de ancoragem utilizados em operações em águas profundas e ultraprofundas, sendo componentes críticos para a instalação segura de equipamentos submarinos. A retomada da produção, iniciada em 22 de janeiro, evidencia a capacidade do parque fabril da NUCLEP de atender demandas técnicas rigorosas em escala industrial, em um segmento marcado pela limitação global de fornecedores qualificados.
De acordo com os contratos vigentes, estão previstas 199 estacas torpedo até 2028. Desse total, 68 unidades já foram entregues, e outras 28 têm previsão de fornecimento ao longo de 2026. Os equipamentos serão destinados a campos como Marlim, Atapu, Sicar, Roncador, Búzios, Sépia, IPB e ativos da Bacia de Campos. Essas são áreas estratégicas para a manutenção da curva de produção da Petrobras e para a segurança energética do país.
No aspecto operacional, a fabricação mobiliza diferentes frentes industriais da Companhia. Segundo a gerência de Caldeiraria e Montagem, o processo exige alto nível de integração entre engenharia, planejamento e execução, considerando padrões de qualidade compatíveis com aplicações submarinas críticas.
As estacas torpedo são estruturas de grande porte projetadas para penetração por gravidade no solo marinho. Sua eficiência depende da precisão geométrica, do controle metalúrgico e do rigor nos processos de soldagem e inspeção, fatores que elevam a complexidade industrial e tornam o fornecimento restrito a poucos fabricantes no mundo.
Do ponto de vista estratégico, a continuidade dos contratos com a Petrobras reflete um ambiente de previsibilidade institucional em um segmento fortemente influenciado por requisitos regulatórios, conteúdo local e segurança operacional. Para a estatal, a existência de capacidade produtiva nacional reduz riscos logísticos, mitiga dependência externa e fortalece a cadeia brasileira de óleo e gás.
Além do impacto direto sobre os projetos offshore, a atividade fabril em Itaguaí gera efeitos relevantes no território. A produção sustenta empregos industriais, estimula a qualificação técnica da mão de obra e movimenta fornecedores regionais de bens e serviços, reforçando o papel da indústria pesada na economia local e nacional.
Para a NUCLEP, o avanço das entregas consolida sua atuação como ativo industrial estratégico do Estado brasileiro, em um momento em que a discussão sobre segurança energética, previsibilidade regulatória e capacidade produtiva voltou ao centro das decisões de investimento no setor.
Com o piso fabril operando em ritmo contínuo e contratos de longo prazo em execução, a Companhia se posiciona como parte relevante da infraestrutura industrial necessária para sustentar os projetos offshore da Petrobras e a transição ordenada da matriz energética brasileira, conectando engenharia pesada, política industrial e planejamento energético de longo prazo.




















