SPIC Brasil amplia UHE São Simão com investimento bilionário

A expansão de ativos existentes volta ao centro da estratégia do setor elétrico brasileiro. A SPIC Brasil foi uma das vencedoras do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026 e irá ampliar a Usina Hidrelétrica São Simão, adicionando 310 MW ao sistema com investimento superior a R$ 1 bilhão.

Localizada na divisa entre Minas Gerais e Goiás, a usina, inaugurada em 1978, possui atualmente 1.710 MW de potência instalada, com capacidade de abastecer cerca de 6 milhões de residências. A nova unidade geradora (UG7) se somará às seis já existentes, utilizando um espaço previsto desde a construção original do ativo.

Expansão

O projeto foi contratado no âmbito do LRCAP com prazo de 15 anos, e início de suprimento previsto para 2030. O modelo de reserva de capacidade tem ganhado relevância no país ao remunerar usinas pela disponibilidade de energia firme — atributo cada vez mais crítico diante da expansão de fontes intermitentes, como eólica e solar.

Nesse contexto, a ampliação da UHE São Simão reforça o papel das hidrelétricas como lastro de confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), contribuindo para estabilidade operacional e modicidade tarifária.

Segundo Adriana Waltrick, CEO da SPIC Brasil, o projeto combina competitividade econômica e otimização de infraestrutura existente. “Este resultado é o reconhecimento de um projeto extremamente competitivo e alinhado às necessidades do país. Estamos investindo para ampliar e otimizar uma infraestrutura já existente, contribuindo para o sistema elétrico a um custo-benefício atrativo para a sociedade”, afirmou.

Reaproveitamento

Um dos pontos centrais da iniciativa é o uso de uma estrutura já consolidada. A nova unidade será instalada sem necessidade de ampliação do reservatório ou inundação de novas áreas, o que reduz complexidade ambiental e regulatória.

As intervenções ocorrerão em uma área equivalente a um campo de futebol, com previsão de recuperação integral ao fim das obras. Esse modelo de expansão, baseado em ativos existentes, tem sido visto no setor como alternativa para ganhos de capacidade com menor impacto ambiental e maior previsibilidade de execução.

Sinergia com programa de modernização

A expansão está diretamente conectada ao processo de modernização da usina, iniciado em 2019 pela companhia, com investimentos superiores a R$ 1,2 bilhão ao longo de dez anos.

O programa inclui a atualização de equipamentos, sistemas e unidades geradoras, com foco em eficiência operacional, confiabilidade e extensão da vida útil do ativo. A integração da UG7 a esse cronograma permite capturar ganhos de escala e reduzir custos, ao aproveitar infraestruturas já modernizadas e sistemas digitalizados.

Financiamento e execução

Para viabilizar o projeto, a companhia avalia diferentes estruturas de financiamento, incluindo debêntures incentivadas, captação no mercado internacional e outras fontes privadas, mantendo níveis de alavancagem compatíveis com projetos de infraestrutura.

O início das obras está previsto ainda para 2026, com geração de empregos diretos e indiretos na região ao longo da fase de implantação.

Movimento estratégico

A expansão da UHE São Simão ocorre em um momento em que o setor elétrico brasileiro busca equilibrar a crescente participação de fontes renováveis intermitentes com ativos capazes de garantir energia firme e previsibilidade ao sistema.

Nesse cenário, projetos de ampliação e modernização de hidrelétricas existentes ganham relevância por combinarem rapidez de implementação, menor impacto ambiental e contribuição direta para a segurança energética, fatores que tendem a orientar decisões de investimento nos próximos ciclos do setor.

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