AXIA projeta R$ 14 bi e amplia transmissão

A AXIA Energia passou a operar em uma nova etapa de expansão com foco em transmissão, modernização de ativos e reforço de rede. Segundo a companhia, o plano prevê R$ 14 bilhões em aportes neste ano e a construção de 2,2 mil quilômetros de novas linhas de transmissão até 2028.

O movimento ocorre em meio à transformação do setor elétrico, marcada por maior participação de fontes renováveis, mudanças regulatórias, avanço da digitalização e maior pressão por eficiência operacional. Para a AXIA, a expansão da transmissão é um dos principais vetores para sustentar a integração de novas cargas e de projetos solares e eólicos ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Transmissão concentra expansão

De acordo com a empresa, os investimentos no segmento de transmissão somam R$ 6,09 bilhões até 2030 para modernizar 124 subestações. A companhia informa que o objetivo é ampliar a confiabilidade operacional dos ativos e reforçar a segurança dos empreendimentos.

O plano de expansão prevê que, ao fim do ciclo, a AXIA seja responsável por 76,2 mil quilômetros de rede, equivalentes a cerca de 40% do SIN, segundo dados divulgados pela própria companhia.

O Nordeste concentra a maior parte dos novos projetos, com previsão de 1,9 mil quilômetros de linhas. A região é estratégica para o avanço da transmissão por reunir forte crescimento da geração renovável, especialmente solar e eólica, e demandar maior capacidade de escoamento para os centros de consumo.

Atualmente, a AXIA informa conduzir 224 empreendimentos de grande porte em transmissão, com potencial de adicionar R$ 1,8 bilhão em Receita Anual Permitida (RAP) entre 2025 e 2030.

Investimento e eficiência operacional

A companhia afirma que a transformação iniciada após a privatização, em 2022, permitiu triplicar o volume de investimentos e redesenhar processos internos para acelerar a tomada de decisão. No último trimestre, os aportes chegaram a R$ 2,7 bilhões, alta de 57% na comparação anual.

A AXIA também projeta encerrar 2025 com quase R$ 10 bilhões investidos em reforços de rede, melhorias, modernização de ativos e ampliação da infraestrutura de transmissão.

No quarto trimestre de 2025, a empresa registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,25 bilhão, crescimento de 141% na comparação anual. O EBITDA regulatório ajustado atingiu R$ 5,75 bilhões, alta de 13%. Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pelo aumento de 5,8% da receita de transmissão, pela redução de PMSO e pelo crescimento de 28,9% no resultado das participações societárias.

Portfólio renovável e gestão de capital

O presidente da AXIA Energia, Ivan Monteiro, afirma que 2025 marcou uma nova fase para a companhia, formada a partir do legado da Eletrobras, com foco em clientes, disciplina financeira e criação sustentável de valor. Segundo ele, a retomada dos investimentos, a gestão rigorosa de capital e o portfólio 100% renovável sustentam a trajetória atual da empresa.

A AXIA informa operar 81 usinas, sendo 47 hídricas, 33 eólicas e uma solar. O portfólio reforça a exposição da companhia à agenda de transição energética, mas também amplia a necessidade de coordenação entre geração renovável, transmissão e planejamento do sistema.

Impacto econômico e agenda setorial

Segundo a AXIA, os investimentos em curso contribuem para a criação de mais de 10 mil empregos diretos e indiretos no país. A companhia também projeta que, no horizonte de seis anos, o volume total destinado ao segmento de transmissão pode alcançar R$ 140 bilhões.

Robson Campos, Vice-presidente de Engenharia e Expansão da AXIA Energia

O vice-presidente de Engenharia e Expansão da AXIA Energia, Robson Campos, afirma que a capacidade de entregar projetos com agilidade e excelência técnica é um diferencial da companhia, associando a expansão das linhas de transmissão ao ganho de eficiência do setor elétrico.

A escala dos investimentos coloca a transmissão no centro da estratégia da AXIA. Em um sistema cada vez mais dependente de fontes renováveis variáveis, a ampliação da rede deixa de ser apenas expansão física e passa a operar como condição para segurança operacional, integração regional e aproveitamento econômico da nova matriz elétrica.

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