Pesquisa do Dieese analisa a evolução do pré-sal, as mudanças regulatórias e os desafios para o futuro da exploração de petróleo no Brasil.
Duas décadas após a descoberta do pré-sal, um estudo divulgado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) analisa os impactos econômicos e regulatórios da maior reserva petrolífera do país. A pesquisa foi elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O economista Carlos Takashi Jardim da Silveira desenvolveu o levantamento e o integrou à sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP), segundo o Dieese.
Impulso na produção de petróleo
De acordo com o estudo, o pré-sal transformou o Brasil em um dos principais produtores e exportadores de petróleo do mundo.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apresentados na pesquisa, o pré-sal respondeu por 80,5% da produção nacional de petróleo no levantamento mais recente.
Ainda conforme o estudo, a elevada produtividade dos campos reduziu os custos de extração. Além disso, tornou o petróleo brasileiro mais competitivo no mercado internacional.
Para a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, o debate sobre o modelo de exploração permanece atual.
“É necessário rediscutir a destinação do fundo, e garantir o modelo de partilha para as novas fronteiras de baixo risco, para além do pré-sal”, afirmou.
Pré-sal e marco regulatório seguem em debate
Além dos resultados econômicos, a pesquisa analisa as mudanças promovidas pelo marco regulatório aprovado em 2010, segundo o Dieese.
O estudo destaca que o regime de partilha garantiu à União a propriedade do petróleo produzido em áreas estratégicas. Também criou o Fundo Social do Pré-Sal para financiar políticas públicas.
Segundo Carlos Takashi Jardim da Silveira, o principal debate atual não está no volume das reservas. A discussão, conforme o pesquisador, concentra-se na forma como a renda do petróleo será utilizada para o desenvolvimento do país.
A pesquisa também aborda temas como a transição energética e a exploração da Margem Equatorial. Conforme a FUP, essas atividades devem ocorrer com planejamento estatal, participação social e protagonismo da Petrobras.
Por fim, o estudo destaca que investimentos públicos em ciência, tecnologia e inovação viabilizaram a descoberta do pré-sal. Segundo a pesquisa, essa estratégia contribuiu para consolidar a Petrobras como referência internacional na exploração em águas ultraprofundas.
















