Sistemas híbridos e biodigestores ampliam o acesso à eletricidade e reduzem a dependência de combustíveis fósseis em regiões remotas.
Levar energia elétrica a regiões remotas do Brasil tem deixado de depender apenas da expansão das redes de transmissão. Cada vez mais, sistemas híbridos, geração distribuída e biodigestores ganham espaço para garantir fornecimento contínuo e reduzir o consumo de combustíveis fósseis.
Um exemplo está em Vila Restauração, no Acre. A comunidade contava com apenas três horas diárias de eletricidade por meio de um gerador a diesel. Atualmente, um sistema que reúne painéis solares, baterias de íons de lítio e geradores movidos a biodiesel garante fornecimento durante 24 horas, segundo o Grupo Energisa.
De acordo com a empresa, a implantação exigiu investimento de R$ 20 milhões e o transporte de aproximadamente 200 toneladas de equipamentos por rodovias e rios amazônicos.
Com a energia disponível durante todo o dia, o posto de saúde passou a conservar vacinas e medicamentos adequadamente. Além disso, comerciantes instalaram equipamentos de refrigeração, enquanto a escola passou a contar com acesso permanente à internet, informou o Grupo Energisa.
“A principal lição é que levar energia de qualidade a áreas remotas exige soluções desenhadas para a realidade de cada território”, afirmou Gabriel Mussi, diretor de grandes clientes da (re)Energisa.
Sistemas híbridos fortalecem a energia limpa em comunidades isoladas
Além do Acre, outras localidades vêm adotando soluções semelhantes. Em Caiambé, no Amazonas, entrou em operação uma usina híbrida que combina geração solar, baterias e geradores a diesel, segundo o projeto.
A expectativa é reduzir cerca de 130 mil litros de diesel por ano e evitar a emissão de aproximadamente 405 toneladas anuais de dióxido de carbono.
Enquanto isso, a redução dos custos dos painéis solares e o avanço das tecnologias de armazenamento favorecem a expansão desses sistemas. Dessa forma, comunidades sem ligação ao Sistema Interligado Nacional conseguem ampliar a segurança energética com menor consumo de combustíveis fósseis.
Segundo Rafael Segrera, presidente da Schneider Electric para a América do Sul, o Brasil reúne condições favoráveis para acelerar esse modelo graças ao potencial de fontes renováveis e ao desenvolvimento de tecnologias voltadas à eletrificação e à digitalização.
Biodigestores ampliam soluções para geração de energia
Além dos sistemas solares, o biogás também amplia as alternativas para regiões afastadas e propriedades rurais.
Nos biodigestores, resíduos da produção agropecuária passam por um processo biológico que gera biogás para produção de energia. Ao mesmo tempo, o material restante pode ser utilizado como biofertilizante nas lavouras.
Segundo o CIBiogás, essa tecnologia reduz custos com eletricidade e combustíveis, além de dar destinação produtiva aos resíduos da atividade rural.
Para Felipe Marques, diretor-presidente da entidade, a expansão da produção de proteína animal deverá impulsionar também o crescimento do biogás e do biometano no país.
Tecnologias adaptadas impulsionam a transição energética
Os projetos em operação mostram uma mudança na estratégia de eletrificação em regiões remotas. Em vez de uma única solução para todo o território nacional, cresce a adoção de tecnologias adaptadas às características de cada localidade.
Assim, sistemas híbridos, geração solar, baterias e biodigestores passam a complementar a infraestrutura elétrica existente. Ao mesmo tempo, contribuem para ampliar o acesso à energia, fortalecer a segurança do abastecimento e apoiar a transição energética em diferentes regiões do Brasil.
















