O avanço das fontes renováveis atingiu um novo recorde mundial em 2025, mas o ritmo de expansão ainda está abaixo do necessário para que o planeta cumpra a meta estabelecida para o fim desta década. A capacidade instalada global chegou a 5,15 terawatts (TW) no encerramento do último ano, segundo levantamento da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), da presidência da COP31 e da Global Renewables Alliance (GRA).
Em 2025, aproximadamente 693 gigawatts (GW) de nova capacidade renovável foram incorporados ao sistema elétrico mundial. Para alcançar os 11,2 TW previstos para 2030, porém, será necessário elevar as novas instalações para uma média próxima de 1.200 GW por ano entre 2026 e 2030.
O objetivo foi estabelecido no chamado Consenso dos Emirados Árabes Unidos, firmado durante a COP28, em Dubai, em 2023. Na ocasião, mais de uma centena de países assumiu o compromisso de trabalhar para triplicar a capacidade mundial de geração renovável e ampliar significativamente os ganhos de eficiência energética até o final da década.
Apesar da expansão registrada nos últimos anos, o desafio agora vai além da construção de novos parques solares, eólicos e de outras fontes limpas. O desenvolvimento das redes de transmissão e distribuição, a implantação de sistemas de armazenamento e o avanço da eletrificação também aparecem como fatores decisivos para sustentar o crescimento da geração renovável.
Redes elétricas entram no centro da transição
O relatório aponta que a infraestrutura elétrica não tem avançado na mesma velocidade que a capacidade de geração. Atualmente, cerca de 2.500 GW em projetos de geração renovável, armazenamento e grandes cargas em estágio avançado aguardam conexão às redes elétricas em diferentes regiões do mundo.
Para enfrentar esse gargalo, os investimentos globais em redes precisarão praticamente dobrar. A estimativa é de que sejam necessários perto de US$ 1 trilhão por ano, em média, entre 2026 e 2030, considerando expansão, modernização e maior flexibilidade da infraestrutura. Em 2025, aproximadamente US$ 525 bilhões foram direcionados para essa área.
Além das redes, o financiamento da própria expansão renovável permanece como um dos grandes desafios. Segundo o levantamento, atingir a capacidade necessária até 2030 exigirá trilhões de dólares adicionais em investimentos ao longo dos próximos cinco anos.
Eficiência energética também está distante da meta
Outro ponto de atenção é a eficiência energética. O indicador global melhorou aproximadamente 2% em 2025, enquanto o ritmo necessário para cumprir os compromissos internacionais é próximo de 4% ao ano.
A combinação entre crescimento da demanda por eletricidade, redes insuficientes e avanço mais lento da eficiência aumenta a pressão sobre os sistemas energéticos. Para a IRENA, acelerar a expansão das fontes renováveis precisa vir acompanhada de investimentos estruturais capazes de conectar novos projetos e ampliar o uso da eletricidade em setores atualmente dependentes de combustíveis fósseis.
Entre as frentes consideradas estratégicas estão a eletrificação dos transportes, da indústria e das edificações, além do desenvolvimento de armazenamento e de redes mais robustas e digitalizadas.
COP31 deve ampliar debate sobre eletrificação
O tema deve ganhar espaço nas negociações da COP31, prevista para novembro, na Turquia. Entre as discussões esperadas está uma proposta para que fontes limpas atendam 35% do consumo final global de energia até 2035, ampliando a eletrificação de diferentes atividades econômicas.
Os números mostram que a transição energética global segue avançando em escala recorde, mas o período até 2030 exigirá uma aceleração expressiva. Mais do que aumentar a capacidade de geração, o cumprimento das metas dependerá da combinação entre investimento, infraestrutura elétrica, armazenamento, eficiência energética e políticas capazes de ampliar a participação das fontes renováveis no consumo mundial.
















