segunda-feira, Março 25, 2019
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A digitalização faz cada vez mais parte das operações no setor energético brasileiro

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Pensar em um mundo com milhões de objetos de uso diário conectados entre si não está fora da imaginação. Afinal, essa é uma realidade cada vez mais palpável com a internet das coisas (IoT). Esse conceito representa uma nova revolução tecnológica que também já está presente no setor energético.

A evolução permitirá, por exemplo, que o consumidor controle a sua conta de energia. “Nas casas inteligentes, você pode controlar, ligar e desligar seu ar-condicionado antes mesmo de chegar lá, através do celular. Você pode também fechar a cortina para controlar a entrada de calor e consumir menos potência do seu ar-condicionado”, revela Julio Martins, VP de Energy da Schneider Electric para o Brasil.

A internet das coisas é uma ferramenta imprescindível para o processo de digitalização do setor de Energia e responsável por contribuir com a solução de diversos desafios na geração, transmissão e distribuição de energia. “Além de possibilitar um ganho de eficiência, ela torna possível a coleta de dados no campo para serem tratados em uma camada analítica. E isso é uma tendência irreversível para os novos padrões operacionais”, afirma.

A digitalização proporciona grandes e positivos impactos para o setor de energia por possibilitar maior eficiência, ganho operacional, inteligência na operação e análises em tempo real. Também permite a integração de diversas tecnologias nas redes elétricas e fornece mais liberdade aos consumidores.

No que diz respeito ao mercado energético, as tendências se referem às novas fontes; aos pequenos e médios geradores; às customizações das entregas de energia a partir da necessidade do cliente e aproximação do cliente final com o fornecedor de energia, além do aumento das soluções em tempo real, dos microgrids e da preocupação com a segurança no mundo digital.

Mas como está o processo digitalização do setor no Brasil? Martins acredita que no ambiente público brasileiro há desafios e um grande caminho a ser percorrido, como a falta de regulação para os prosumers. “Já no ambiente privado, noto que as empresas, hoje, têm cuidado para adquirir ferramentas de última geração de IoT”, completa.

Soluções digitais

Voltada a este mercado, a Shneider Eletric possui a plataforma EcoStruxure™, que é um sistema aberto e interoperável. “Foi implementado em mais de 480 mil sites, com o apoio de mais de 20 mil integradores de sistemas e desenvolvedores, conectando mais de 1,6 milhão de ativos sob gerenciamento por mais de 40 serviços digitais”, conta Martins.

A ferramenta aproveita os avanços em internet das coisas, mobilidade, detecção, nuvem, análise e segurança cibernética para oferecer inovação em todos os níveis, incluindo produtos conectados, Edge Control, aplicativos, análises e serviços.

Outro produto que está no mercado é o ABB Ability, da ABB, que possui mais de 210 soluções digitais possíveis em uma única plataforma, conectando clientes à internet das coisas. Com integração de dados em nuvem, é possível reduzir custos de manutenção, aumentar a vida útil dos ativos, assegurar a eficiência das operações, gerar menores impactos ambientais e garantir segurança aos funcionários.

“Eu diria que o Brasil segue um trade global e enxergamos uma grande oportunidade no país. Estamos sempre fornecendo e investindo em produtos que conversam entre si e têm capacidade de gerar ações baseadas nessas informações que eles coletam”, afirma Bruno Monteiro, gerente da unidade de energia solar da ABB Brasil.

Segundo Monteiro, a previsibilidade é um dos grandes destaques da plataforma, pois permite que os problemas sejam resolvidos de forma mais rápida. “Os complexos atuais têm, por característica, um nível de disponibilidade bastante elevado. Em caso de problemas, essa inteligência consegue prever antes mesmo do cliente conseguir entender o que está acontecendo”, afirma.

Transmissão e Distribuição

Um diferencial do Brasil é possuir um sistema nacional de transmissão interligado. “Ajuda a superar nossos desafios hidrológicos e geográficos, uma vez que, normalmente, a geração está distante dos centros de consumo”, conta Julio Martins, VP de Energy da Schneider Electric para o Brasil.

Além disso, as concessionárias estão implantando cada mais a inteligência artificial para aumentar a eficiência, a disponibilidade e a confiabilidade. “Esse sistema, hoje, não tem como operar sem ser inteligente e digital, tendo, na sua arquitetura, uma versatilidade que permita o ingresso de novos projetos de geração a serem conectados”, completa Monteiro.

Digitalização na energia dos ventos

A digitalização já alcançou a energia eólica e propicia diversos benefícios práticos. Entre eles, está a previsão do tempo conectada ao sistema de controle. Além disso, por meio da digitalização, é possível a gestão e operação remota dos parques.

“Podemos mencionar, ainda, o controle da energia; a disponibilidade da energia, com base em dados históricos armazenados; a gestão dos ativos para antecipação de eventual manutenção; dentre outros benefícios”, afirma o VP de Energy da Schneider Electric para o Brasil.

Essa matéria foi publicada na 34ª edição da revista Full Energy. Clique e confira a publicação.