Acesso do etanol ao mercado europeu pode contribuir para o desenvolvimento sustentável da UE

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Viabilizar o acesso do etanol de cana ao mercado europeu no âmbito do Acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) poderá fortalecer o processo de “commoditização” do produto e, no curto prazo, gerar inúmeros benefícios ambientais e socioeconômicos aos dois blocos. Na opinião da assessora sênior da Presidência para Assuntos Internacionais da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Géraldine Kutas, o cenário possibilitaria novas oportunidades de negócios para empresários do setor sucroenergético brasileiro e aumento da disponibilidade do biocombustível mais avançado do mundo na poluída matriz energética da Europa.

A executiva reforçou o discurso durante o evento “UE e Brasil: Parceria para o Progresso – Criando um Círculo Virtuoso no Comércio Agrícola Sustentável”, realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) no último dia 20 de outubro, em Bruxelas, na Bélgica.

A presença de Géraldine no encontro organizado para debater abertamente e de forma transparente a sustentabilidade da agricultura brasileira e as perspectivas de parcerias com o velho continente, foi possível graças à parceria entre a UNICA e a Agência em projeto de valorização do etanol brasileiro no exterior. O seminário, que teve a abertura conduzida pelo presidente da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe Gomes de Mattos, reuniu diversos especialistas em energias renováveis e representantes de empresas e associações europeias.

Durante um painel sobre o papel do comércio entre o Brasil e a UE na promoção dos objetivos climáticos, ambientais e de desenvolvimento econômico, Geraldine enfatizou que o etanol de cana pode ser uma via de mão dupla.

“Do lado ambiental, graças ao seu poder de emitir 90% menos C02 do que a gasolina, poderá ser ainda mais estratégico nos planos europeus de reduzir em 40% as emissões de gases de efeito estufa até 2030. Do lado econômico, produtores brasileiros ganhariam com essa abertura de mercado. Este é o famoso sistema ganha-ganha, cuja maior cooperação propiciaria um desenvolvimento sustentável concreto em ambos os blocos econômicos”, explica a representante da UNICA.

Participaram deste debate, o diretor Executivo de Política Industrial da Associação Europeia de Produtos Químicos (CEFIC, na sigla em, inglês), René Van Sloten, o diretor Executivo da Fair Trade Europe, Sergi Corbalán e o chefe de Operações do Grupo Aurantiaca.

A representante da UNICA fixou também que, apesar do Brasil ocupar a terceira posição no ranking mundial de exportações agrícolas, as nossas mercadorias sofrem com a imposição de barreiras comerciais tarifárias e não-tarifárias na Europa. “Brasil e UE precisam ser transparentes quanto as suas expectativas nas negociações para que possamos concluir um acordo Mercosul-UE benéfico para os dois lados”, conclui.

Acordo

Em outubro deste ano, europeus e sul-americanos se reuniram para mais uma rodada de negociação do Acordo. O próximo encontro entre os dois blocos está previsto para março de 2017, em Buenos Aires, Argentina. Segundo explicação do ministro de Relações Exteriores do Brasil, José Serra, durante Assembleia Geral da ONU, em setembro, as tratativas deverão ser concluídas nos próximos dois anos.

Neste período, a UE também definirá uma série de leis a respeito da “descarbonização” da sua matriz energética, reforma da diretiva de promoção das energias renováveis e uma decisão sobre a lei de “effort sharing”, que determina como os estados-membros da UE vão repartir os esforços de redução de GEEs em diversos segmentos, entre os quais o transporte e a agricultura.