Acionistas ativistas deverão aumentar investimentos nos setores de energia e indústria em 2016

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Pesquisa realizada pela FTI Consulting, em parceria com a Activist Insight, demonstrou os hábitos de 24 empresas ativistas que, coletivamente, se envolveram em mais de 1200 eventos ativistas, em mais de 10 países. Esta é segunda parte do levantamento anual.

A primeira parte da pesquisa incluiu alguns tópicos-chave sobre o interesse e a cooperação com o ativismo no mercado, bem como oportunidade geográfica:

• Fundos ativistas continuam a levantar capital, somada a estimativa de US$ 169 bilhões focada em fundos ativistas, enquanto o ativismo continua a expandir para fora dos EUA;

• Ativistas acreditam que acionistas institucionais vão passar de apoiadores para parceiros do ativismo em 2016;

• Ano após ano as pesquisas têm revelado que os ativistas acreditam cada vez mais que o ativismo nos EUA está abarrotado, com Canadá e Europa como os melhores territórios para se fazer ativismo.

Nesta segunda parte, o relatório explora os temas e as oportunidades que os ativistas esperam em 2016, as mudanças de hábitos e as táticas de investimento que planejam empregar.

Os investidores ativistas enxergam o ramo de energia como o setor para se concentrar em 2016 e, apesar das manchetes, a maioria dos ativistas acreditam que os melhores alvos para ativismo não são as grandes corporações, mas as pequenas e médias empresas.
Mais de 58% dos investidores pesquisados apontaram as empresas de pequeno capital como uma oportunidade significativa para o ativismo. Por outro lado, alguns investidores veem oportunidade futura e significativa nas grandes e megacorporações (com capital acima de US$100 bilhões), 28% e 16%, respectivamente.

Embora muitos tenham disputado o mercado das empresas de capital acima de US$50 bilhões, atraindo a atenção da mídia, de acordo com dados Activist Insight, empresas com capitais acima de US$ 10 bilhões foram responsáveis por apenas 13% do alvo de ativistas desde 2010. Em contrapartida, 71% das empresas tinham almejado uma capitalização de mercado de menos de US$2 bilhões, o que dá credibilidade à intuição dos ativistas.

A maioria dos entrevistados (cerca de 44%) apontaram o setor energético como o mais desvalorizado, mas também como a melhor oportunidade para ganhos. Em contrapartida, 35% dos investidores acreditam que a área da saúde é a mais supervalorizada.
Por conta disso, não é surpresa que os setores mais promissores para o ativismo dos acionistas são o da indústria e energia. Provavelmente, em razão dos valores depreciados, o ramo de energia é visto como uma área de muita oportunidade.

Embora haja pouco ativismo no setor de indústrias, o ativismo no setor energético também foi baixo em 2015 em razão dos preços das commodities, que impactaram negativamente o setor. Aparentemente, os ativistas estão prontos e à espera de sinais de crescimento neste setor e já começaram a se envolver.

No setor de saúde, as respostas foram mistas: enquanto 38% dos entrevistados apontaram oportunidades significativas para o ativismo dos acionistas, 23% dos entrevistados disseram ser uma área com oportunidades bem limitadas.

Ativismo de fusão e ativismo operacional deverão ser campanhas predominantes ao longo dos próximos doze meses. Tentar aumentar a participação do ativismo em fusões ou tentar impedir uma fusão também são ações que devem crescer. Quase 80% dos investidores pesquisados acham que o ativismo de fusão vai aumentar no ano que vem. Isso já tem sido insinuado com os recentes compromissos entre AOL e Yahoo e casos bem sucedidos como da Staples e Office Depot.

Ativismo operacional também é visto como uma área frutífera o setor, com 63% dos investidores pesquisados indicando que haverá algum aumento. Exemplos recentes no ramo operacional incluem Pepsico, Advance Auto Parts, GE, DuPont, e Mondelez, apenas para citar alguns.

Apesar dos casos de alta visibilidade sugerirem o contrário (como no caso da DuPont), os ativistas estão encontrando novas formas de atingir as equipes de gestão. Mais de 90% dos pesquisados afirmaram que em 2015 foi menos difícil chamar a atenção da gestão em relação aos anos anteriores.

Entre as razões, podemos elencar que, nos últimos dois anos, ativistas venceram quase dois terços das disputas por meio de votos; ativistas permaneceram por um período mais longo nas empresas, diminuindo as preocupações do Conselho de Administração de que os ativistas são conduzidos puramente pelo momento; além do maior apoio de grandes instituições aos ativistas, influenciando grandemente a resposta dos Conselhos.

Com o aumento do ativismo dentro das empresas de grande capital, um ativista pode nunca atingir os 5% de participação. Isto dá ao ativista e à empresa uma oportunidade de se reunir longe dos olhos do grande público, o que é fundamental para ambos, gestão e ativista.
Apesar da suspeita de serem investidores de curto prazo, os ativistas entrevistados indicaram, em média, o período de três anos para um investimento. Além disso, a maioria dos ativistas esperam participar de pelo menos três novas campanhas em 2016.

Mais de 85% dos ativistas esperam estar envolvidos em três ou mais campanhas de ativismo nos próximos doze meses. Isto está de acordo com os dados de 2015, quando 31 fundos ativistas visaram pelo menos três (3) empresas. Juntamente com os dados da Parte I da pesquisa, que indicou que os ativistas planejam continuar a levantar capital e investi-lo, reforçando a perspectiva de que a onda atual de campanhas ativistas deve crescer.

Cerca de metade dos ativistas afirmam investigar uma empresa em potencial por pelo menos seis meses antes de tomar uma decisão de investimento. Aproximadamente 45% dos ativistas pesquisam as companhias por um período superior a seis meses antes de fazer um investimento.

Por conta disso, as empresas devem estar cientes de que o ativista com quem elas se encontraram há um ano, e nunca mais manteve contato, pode ser o investidor que está comprando ações atualmente.

O que um investidor ativista faz antes de um investimento? A resposta é: due diligence. Cerca de 95% dos ativistas disseram que uma avaliação financeira independente ajuda a formar sua opinião sobre uma empresa. Mais interessante ainda é que 80% dos ativistas indicou que o encontro pessoal com o CEO foi fundamental para formar a sua opinião.

O período de investigação da propriedade, o aumento no ativismo operacional, e o aumento do tempo gasto com due diligence, mostram que o ativismo continua mudando. Com o crescimento do apoio ao ativismo por parte das empresas, os acionistas serão cada vez mais eficazes e pacientes ao avaliar as oportunidades.