terça-feira, Abril 23, 2019
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Aconteceu no Rio o World Nuclear Spotlight, um dos principais eventos internacionais da área nuclear

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Na semana passada, o setor nuclear brasileiro teve alguns dias importantes e momentos decisivos. Depois de anunciado um lucro líquido expressivo da Eletronuclear em 2018, todas as empresas que querem participar da PPI para a continuação das obras de Angra 3 ficaram mais animadas. O reajuste das tarifas da geração nuclear  foi fundamental e animou as companhias que querem participar da retomada das obras da usina.  A indústria viveu o “World Nuclear Spotlight”, evento internacional que aconteceu no Hotel Windsor Marapendi, no Rio de Janeiro. O primeiro dia do encontro teve um painel exclusivo para abordar quais são os projetos atuais em desenvolvimento no Brasil, além da perspectiva dos empreendimentos futuros. Para tal, um time de executivos das principais empresas do setor foi formado para fazer apresentações de diversos temas, desde o desenvolvimento de recursos humanos até a avaliação de impactos ambientais para as próximas usinas nucleares no país.

A Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan) e a WNA World Nuclear Association organizaram a edição brasileira do evento. Celso Cunha, presidente da ABDAN, acredita que o encontro pode ser marcante:  “É muito bom ver o trabalho florescer. São momento marcantes. Não é fácil organizar um evento dessa envergadura, mas é muito prazeroso ver  a energia nuclear retomar o seu lugar na matriz energética brasileira. São muitos desafios, mas acredito firmemente que vamos levar a frente todo este processo, apesar de alguns setores se colocarem contrários por desconhecimento técnico, tecnológico e preconceituoso. Pela programação, que elaboramos, foi um grande evento. Tivemos nomes de nível mundial”.

O presidente da Eletronuclear, Leonam Guimarães, fez uma apresentação sobre o papel da energia nuclear na matriz energética brasileira e a demanda futura por energia. Estudo elaborado pela própria Eletronuclear, demonstra o impacto positivo que as plantas nucleares podem trazer para o sistema elétrico. No caso específico de Angra 3, segundo cálculos apresentados pela empresa, com a entrada da usina, a economia poderá chegar a R$ 900 milhões anuais, já que os gastos com o despacho de térmicas serão menores. De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia (MME), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é  obrigado a despachar, de forma contínua, usinas térmicas a diesel com tarifas acima de R$ 700/MWh, enquanto que o valor da tarifa de Angra 3 será de R$ 480/MWh.

Com esta perspectiva, o chefe do Departamento de Desenvolvimento de Novos Empreendimentos da Eletronuclear, Marcelo Gomes, fez uma apresentação durante o Spotlight sobre avaliações estratégicas e de impacto ambiental para as próximas plantas nucleares no país. No entanto, a questão nuclear brasileira não se resume apenas à geração de energia. Prova disso é desenvolvimento do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), que também foi tema de apresentação no Spotlight. O projeto foi detalhado pelo coordenador técnico do empreendimento, José Augusto Perrotta.

O projeto, como se sabe, dará autossuficiência ao Brasil na produção de radioisótopos usados na fabricação de radiofármacos, fundamentais hoje no setor da saúde. Além disso, o RMB será utilizado também para testes de irradiação de combustíveis nucleares e de materiais e as respectivas análises pós-irradiação e para pesquisas científicas com feixes de nêutrons em várias áreas do conhecimento.

Além das empresas nacionais, também estiveram presentes representantes de importantes companhias internacionais, que abordaram os benefícios da energia nuclear, tecnologias e aceitação pública da fonte. Também marcaram presença membros do governo brasileiro.

Fonte: Petronotícias