sábado, Maio 25, 2019
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Ambientalistas apontam riscos na exploração de petróleo na bacia da foz do Rio Amazonas

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A exploração de recursos de petróleo e gás na Bacia da Foz do Rio Amazonas está sendo alvo de críticas de ambientalistas, que acusam as petroleiras de colocarem em risco a existência de recifes de corais. Se de um lado estão as empresas BP e Total, de olho no potencial dos blocos marítimos da região, do outro está o Greenpeace, que usa dados de estudos feitos pelas próprias petroleiras para alertar sobre os riscos ambientais consequentes da exploração de petróleo na região.

A preocupação do Greenpeace é com os Corais da Amazônia, que segundo a entidade representam “um ecossistema próspero e dinâmico ainda pouco conhecido”, formado por corais-rosa, peixes coloridos e mais de 60 espécies de esponjas-do-mar. A entidade chegou a lançar a campanha internacional “Defenda os Corais da Amazônia”, um abaixo-assinado online onde, segundo o Greenpeace, mais de 1 milhão e 120 mil pessoas deixaram seus nomes para apoiar a ideia de cancelar os planos de Total e BP na Bacia do Foz do Amazonas.

Usando dados de estudos de impacto ambiental (EIA) feitos pela Total, o Greenpeace afirma que a própria petroleira francesa assume a probabilidade de 30,3% de chances de um possível vazamento de óleo atingir os corais. “Este dado está presente no EIA submetido pelas empresas ao Ibama como parte do processo de Licenciamento para obtenção da licença ambiental para dar início à exploração de petróleo na região”, disse ao Petronotícias a especialista da campanha “Defenda os Corais da Amazônia”, Helena Spiritus.

O Petronotícias procurou a Total para comentar o caso e a companhia alegou que a probabilidade de 30% se refere a um cenário em uma localidade específica onde a empresa nunca irá perfurar. De fato, o documento elaborado pela organização francesa deixa isso claro, como se vê na imagem abaixo. No entanto, o EIA indica que áreas onde a companhia irá perfurar também estão sujeitas à possibilidade de contaminação dos corais, mesmo que essa probabilidade seja menor do que os 30% citados pelo Greenpeace. Nos blocos FZA-M-57 e FZA-M-127, a chance desse acidente acontecer é de 10% e 12,3% (no inverno), respectivamente. No verão, o risco da contaminação sobe para 18,2% no bloco FZA-M-127.

A Total acrescentou que “o Estudo de Impacto Ambiental ainda está em análise pelo Ibama. A empresa aguarda a aprovação da licença ambiental pelo órgão para iniciar as atividades na região”. A BP também foi procurada, mas não comentou o assunto até o fechamento desta reportagem.

No início do ano, a Total recebeu os primeiros equipamentos que serão utilizados durante a atividade de perfuração de poços de pesquisa exploratória de petróleo que a empresa prevê realizar na região. A companhia liderou um consórcio, formado juntamente com BP e Petrobrás, que pagou mais de R$ 600 milhões por cinco áreas na Bacia da Foz do Amazonas. A previsão inicial da organização francesa era de que as atividades de perfuração de poços de pesquisa exploratória de petróleo começassem em 2017.

Mas o projeto também está encontrando resistência em outras esferas. “O Ministério Público Federal publicou em 8 de maio de 2017 uma recomendação ao Ibama pedindo que o órgão suspendesse a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas“, disse Helena. “Na recomendação o MPF cita que o Estudo de Impacto Ambiental da Total e BP ‘não levou em consideração o importante ecossistema existente no recife de corais da Foz do Rio Amazonas. Assim, a exploração em área próxima aos corais, sem o estudo de impacto ambiental adequado, pode trazer prejuízos  irreparáveis a este bioma único e pouco conhecido‘”, complementou a ambientalista.

O recife de corais, com cerca de mil quilômetros de extensão na Foz do Rio Amazonas, foi descoberto em 2016. Para o MPF do Amapá, por se tratar de uma recente descoberta, ainda não existem pesquisas científicas suficientes sobre o novo ecossistema. “Nem foi possível identificar todos os novos seres encontrados nesse recife de corais de águas salobras – mistura de águas doce e salgada. Assim, a atuação de forma preventiva, com o adequado estudo ambiental para a exploração de petróleo nos arredores do recife se torna ainda mais importante”, afirmou o órgão.