ANP entrega prêmio de inovação tecnológica

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A ANP realizou na última sexta-feira a cerimônia de entrega do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2018, no Rio de Janeiro. Nas cinco categorias do Prêmio, concorreram 102 resultados de projetos, de universidades, empresas petrolíferas e empresas brasileiras. A avaliação dos vencedores foi feita com base nos critérios de originalidade, relevância, aplicabilidade e funcionalidade da tecnologia e, como critério de desempate, a produção científica e tecnológica.

Na abertura do evento, o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, afirmou que, este ano, os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) irão ultrapassar R$ 1,3 bi. “A expectativa para os próximos 30 anos, com os contratos licitados até 2019, é que a média anual de investimentos em P,D&I, com esses projetos já em produção chegue a R$ 3 bilhões”, complementou.

O Prêmio ANP foi criado em 2014 e tem como objetivo reconhecer os resultados associados a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação que representem avanço tecnológica para o setor de petróleo, gás natural e biocombustíveis, desenvolvidos no Brasil por instituições credenciadas, empresas brasileiras e empresas petrolíferas, com recursos da Cláusula de PD&I presente nos contratos de exploração e produção.

Veja abaixo os vencedores do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2018:

Categoria I – Resultado de projeto(s) desenvolvido(s) exclusivamente por Instituição Credenciada, em colaboração com Empresa Petrolífera, na área temática geral “Exploração e Produção de Petróleo e Gás”:

Título: Metodologias para integração entre simulação numérica de reservatório e sísmica 4D
Empresa petrolífera: Shell
Instituição credenciada: Unicamp / Cepetro
Resumo: Este projeto de pesquisa teve como objetivo desenvolver metodologias de integração entre dados de simulação numérica de reservatórios e sísmica 4D, considerando as incertezas relacionadas a ambos os conjuntos de dados através de abordagens estocásticas. As metodologias geradas nesta pesquisa contribuem para otimizar o gerenciamento de reservatórios, reduzindo as incertezas e riscos associados. O principal resultado são as metodologias propostas que propõem soluções para desafios práticos da indústria no que diz respeito à integração de dados de simulação numérica e sísmica 4D.

Categoria II – Resultado de projeto(s) desenvolvido(s) por Empresa Brasileira, com ou sem participação de Instituição Credenciada, em colaboração com Empresa Petrolífera, na área temática geral “Exploração e Produção de Petróleo e Gás”:

Título: Aplicação de conceitos de confiabilidade aeronáutica em projeto, operação e manutenção de BOPs submarinos
Empresa petrolífera: Petrobras
Empresa: Embraer, QGOG, Transocean, Brasdrill, Ocean Rig, NOV
Resumo: O BOP (Blowout Preventer) é o equipamento de segurança mais crítico de uma sonda de perfuração offshore. O equipamento é o responsável por controlar as pressões do poço e evitar derramamentos e vazamentos que podem levar a acidentes catastróficos. O cenário de altos custos com manutenção do equipamento e a constante preocupação com a segurança das operações levaram ao surgimento do Projeto de Pesquisa com o objetivo de estudar e aumentar a confiabilidade dos equipamentos de BOP, equiparando-a aos padrões de confiabilidade da indústria aeronáutica.

Categoria III – Resultado de projeto(s) desenvolvido(s) exclusivamente por Instituição Credenciada, em colaboração com Empresa Petrolífera, na área temática geral “Transporte, Dutos, Refino, Abastecimento e Biocombustíveis”:

Título: Produção de biodiesel avançado proveniente de microalgas nativas com captura intensiva de gás carbônico
Empresa petrolífera: Petrobras
Instituições credenciadas: UFRN/Instituto de Biociências, Universidade Federal de Viçosa/Departamento de Engenharia Agrícola e UFRJ/Escola de Química
Resumo: Foi promovida a implantação bem sucedida de uma planta de produção de microalgas nativas no Rio Grande do Norte que atingiu produção anual superior a uma tonelada devido a sua estabilidade e alta produtividade média em biomassa seca livre de cinzas, cerca de 50 vezes maior do que a da soja. Foram testados diversos conceitos a nível de biorrefinaria e desenvolvida uma metodologia de extração a frio de óleo a partir de biomassa úmida de microalgas com posterior conversão a biodiesel especificado sob os critérios estabelecidos pela ANP. O resultado final dos esforços de P&D apresentados é o da produção de biocombustível de terceira geração com sucesso na escala piloto partindo de uma matéria prima não convencional (microalgas) submetida ao biorrefino até obtenção do produto final – biodiesel.

Categoria IV – Resultado de projeto(s) desenvolvido(s) por Empresa Brasileira, com ou sem participação de Instituição Credenciada, em colaboração com Empresa Petrolífera, na área temática geral “Transporte, Dutos, Refino, Abastecimento e Biocombustíveis”:

Título: Óleo Diesel de Primeiro Enchimento – Alta Estabilidade à Oxidação – nova linha de óleo diesel
Empresa petrolífera: Petrobras
Empresa: MAN Latin America, BR Distribuidora
Resumo: As montadoras de veículos, na busca de redução de custos, abastecem os veículos recém-fabricados com o mínimo de combustível necessário, para futura comercialização. Este pequeno volume de óleo diesel fica exposto a grande quantidade de ar e, muitas das vezes, fica estocado por longos períodos de tempo. Surgiu a oportunidade de desenvolvimento de um óleo diesel especial, denominado de primeiro enchimento, que apresentasse maior estabilidade à oxidação durante a sua estocagem. O novo produto desenvolvido reduz a ocorrência de reações de oxidação por longo tempo em função da sua elevada estabilidade, minimizando a formação de depósitos no sistema de injeção e consequente ocorrência de problemas operacionais dos veículos.

Categoria V – Resultado de projeto(s) desenvolvido(s) por Instituição Credenciada e/ou Empresa Brasileira, em colaboração com Empresa Petrolífera, na área temática específica “Aumento do Fator de Recuperação de Petróleo e Gás”:

Título: Desenvolvimento de microcápsulas com rigidez controlável e o seu uso no controle de mobilidade e aumento do fator de recuperação de petróleo
Empresa petrolífera: Shell
Instituição credenciada: PUC-Rio/ Laboratório de Microhidrodinâmica e Escoamento em Meios Porosos
Resumo: Este projeto desenvolve uma metodologia para fabricação de microcápsulas com propriedades controladas e prova o conceito do uso de suspensões dessas microcápsulas como método de aumento do fator de recuperação de óleo. As microcápsulas podem ser usadas como agentes de bloqueio de poros já varridos pela fase aquosa, desviando o fluxo e consequentemente mobilizando gânglios de óleo imóveis, e como veículo de carreamento de agentes químicos para liberação controlada.

Personalidade Inovação do Ano 2018

A homenagem foi concedida ao prof. Kazuo Nishimoto, pela contribuição à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação no setor energético brasileiro. Professor titular da Universidade de São Paulo (USP), possui graduação, mestrado e doutorado em Engenharia Naval e Oceânica pela USP (1979), Yokohama National University (1982) e Universidade de Tokyo (1985), respectivamente. Atualmente, concentra suas atividades de pesquisa na integração de diferentes áreas de conhecimento da engenharia como principal coordenador do Tanque de Provas Numérico da USP, onde é coordenador geral. Já coordenou mais de 50 projetos de pesquisa e desenvolvimento aplicados na área de petróleo e gás, produzindo cerca de 200 publicações técnicas altamente conceituadas. É reconhecido ainda por várias contribuições para o desenvolvimento de novos conceitos e registro de patentes.

Menção Honrosa – Personalidade Inovação Operacional do Ano 2018

A menção honrosa este ano foi concedida a Virmondes Alves Pereira. Engenheiro civil pela Universidade Federal de Uberlândia, possui pós-graduação em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e MBA em Gestão de Negócio pelo Instituto Superior de Engenharia (ISE). Fez o curso de formação em Engenharia de Petróleo como funcionário da Petrobras em 1980, na Bahia. No mesmo ano, passou a trabalhar na Bacia de Campos, onde permaneceu por 35 anos, dos 37 dedicados à Petrobras. Lá, gerenciou operações de perfuração em águas profundas, contribuindo significativamente para o desenvolvimento desta atividade no Brasil. Aposentou-se em julho de 2017.