Boas notícias para a energia solar

A previsão para o final de 2018 é de 2.400 MW operacionais na matriz elétrica brasileira gerados a partir da fonte solar fotovoltaica

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A geração de energia a partir de fontes limpas e renováveis é uma tendência cada vez mais forte dentro do setor energético mundial. No Brasil não é diferente. O país é um dos grandes geradores de energia a partir da biomassa, e figura entre os 10 maiores no ranking mundial de geração de energia eólica. Apesar do destaque na produção de fontes sustentáveis, o grande potencial do Brasil na energia solar ainda tem muito a crescer.

Atualmente, a fonte solar fotovoltaica é responsável por 0,8% da matriz elétrica nacional, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). As projeções do setor estimam que a crescente produção dessa energia no país impacte diretamente em uma maior representatividade na matriz energética. “No início do ano tínhamos mais ou menos 2.150 MW operacionais, somando geração distribuída e geração centralizada. A previsão para o final de 2018 é de 2.400 MW operacionais na nossa matriz”, afirma Rodrigo Sauaia, presidente da ABSOLAR.

O presidente da ABSOLAR diz ainda que a expectativa de crescimento no ano será superior a 100% em relação ao ano anterior. “Projetamos um crescimento de 85% na potência instalada fotovoltaica em geração centralizada solar e aproximadamente 15% na geração distribuída”, completa Sauaia. De acordo com tais projeções, o segundo semestre do ano promete ser agitado para o setor, com novidades de mercado e intensa atividade.

O avanço da energia solar fotovoltaica no Brasil tem estimulado também a indústria. Segundo Sauaia, todo os equipamentos e componentes de um sistema solar fotovoltaico já são produzidos em solo brasileiro, por meio de 30 fabricantes que atuam no setor. O presidente da ABSOLAR explica ainda que, nesse ano, o Brasil ultrapassou a marca de 30 mil sistemas solares fotovoltaicos em operação. “A fonte solar representa geração de empregos, desenvolvimento econômico, social e ambiental para o nosso país”, completa.

“O Brasil tem condições de ser uma grande potência solar e possui condições de alimentar uma parcela significativa da sua demanda elétrica com essa tecnologia, de forma cada vez mais competitiva.” Rodrigo Sauaia, Presidente da ABSOLAR.

BNDES

O bom momento da energia solar no país não se deve apenas ao crescente interesse da população às vantagens da fonte. Iniciativas recentes também tendem a impulsionar o setor. Exemplo foi o anúncio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do lançamento do programa “Fundo Clima”, que disponibiliza linhas de financiamento para pessoas físicas. A ferramenta, de âmbito nacional, tem como objetivo o financiamento de projetos de pequeno porte – em residências – e também oferecer financiamentos para pessoas jurídicas, prefeituras, governos estaduais e até mesmo cooperativas e associações.

“É uma iniciativa que dá competividade ao mercado. Na medida que as linhas possuem prazos da ordem de até 12 anos de amortização, com carências que variam de 3 a 24 meses, e taxas de juros que variam de 4,03 a 4,55% ao ano”, explica Sauaia.

Além da medida do BNDES, outra iniciativa do Governo Federal deve estimular o fomento da energia solar fotovoltaica no Brasil, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste. No início de junho, durante o evento Brasil Solar Power, no Rio de Janeiro, o Ministro da Integração Nacional, Pádua de Andrade, anunciou novas linhas de financiamentos, aplicadas por meio de fundos constitucionais, para geração distribuída solar fotovoltaica por pessoas físicas. “Essas linhas de financiamento terão condições da ordem de, mais ou menos, oito anos de prazo de amortização, com carência de cerca seis meses e condições de juros inferiores a 7% ao ano”, completa Sauaia. Durante o evento, o Ministro ainda sinalizou que há um volume de recursos financeiros de R$ 3,17 bilhões para financiar energia solar fotovoltaica nesse ano.

Cadeia de valor

Seguindo esta tendência nacional de boas novidades no setor solar, o Governo Estadual da Bahia promoveu o lançamento do “Atlas Solar da Bahia”, que tem como objetivo mapear e analisar o potencial do recurso solar no estado, tanto para geração centralizada quanto para geração distribuída, apontando também para a sinergia com outras tecnologias, como a energia eólica. A ferramenta, disponível na página do Governo da Bahia e no portal da ABSOLAR, tem como objetivo possibilitar aos empreendedores terem acesso a informações sobre o setor, além de divulgar projetos de pequeno, médio e grande porte no estado.

Além disso, a ABSOLAR contribuiu também para o estudo “Cadeia de Valor da Energia Solar Fotovoltaica no Brasil”, promovido pelo Sebrae Nacional. O material, de mais de 300 páginas, foi produzido com base em um estudo realizado durante todo o ano de 2017, com o objetivo traçar um panorama sobre o funcionamento da energia solar fotovoltaica no país. “Esse estudo faz um mapeamento transversal da cadeia de valor do setor solar fotovoltaico, avaliando mercado, ambiente regulatório e legal, incentivo, tributação, financiamento, modelos de negócios, além de mapear as empresas que atuam no setor”, explica Sauaia.

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