Brasil terá déficit de combustíveis de 1,2 mi de barris por dia em 2030, diz ANP

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A diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, falou a uma plateia de executivos do setor sobre a necessidade de investimento na produção e logística de combustíveis, por conta da perspectiva de déficit de 1,2 milhão de barris por dia (bpd), sem o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), e de 1,142 milhão de bpd com a refinaria.

Magda apresentou estudo que irão subsidiar o governo e direcionar investimentos em dez anos. “Há gargalos logísticos no Brasil. A ANP tem que ser ouvida. O Brasil vai precisar de investimento a partir de 2017. Há nichos de mercado para investimento”, disse, complementando que este ano será de conversas.

Em um cenário de autossuficiência, seria necessário concluir o Comperj e a Refinaria do Nordeste, além de construir duas novas refinarias – uma no Maranhão e outra no Triângulo Mineiro, para atender, sobretudo, a demanda em todo País, com destaque para as regiões Sudeste e Centro-Oeste. “A discussão se terá refinaria é menos importante. Provavelmente, teremos um mix (de produção própria e importação)”, afirmou. O debate, segundo Magda, deve girar em torno da medida de cada uma das alternativas.

O desafio da aposta na dependência da importação, em sua opinião, está no custo da formação de um estoque estratégico para garantir o abastecimento em uma situação de dificuldade de acessar o mercado externo. “Um déficit de 1 milhão de barris por dia não se enfrenta com estoque de três ou cinco dias. A gente vai precisar de mais estratégia e isso vai ter um custo. Se a gente for por esse caminho, alguém vai ter que pagar a conta”, afirmou.

Para optar pela importação, será necessário ainda investir em logística – melhorias dos portos e ampliação da malha dutoviária, principalmente.

Presente no evento, o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (iBP), Jorge Camargo, questionou a viabilidade do investimento, já que a Petrobras não tem caixa e “o investidor não aceita interferência do governo e não vai investir”. Magda respondeu: “Conversando. Não tem outro jeito. Estamos dando o pontapé mostrando como a ANP vê isso. Vamos ter que gastar 2016 conversando.”