Braskem fecha contrato de R$ 380 milhões para importação de gás dos Estados Unidos

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Diante do cenário ruim vivido pela Petrobrás, a Braskem busca hoje novos horizontes para seus negócios. Com o objetivo de reduzir sua dependência do fornecimento da estatal, a petroquímica fechou nesta semana um novo contrato de R$ 380 milhões para importar gás de xisto dos Estados Unidos, em acordo fechado junto à Enterprise Products, mesma distribuidora que atende às fábricas da empresa brasileira em território norte-americano. A companhia, que hoje tem 70% de suas demandas atendidas pela Petrobrás, vem buscando diversificar suas fontes e deverá abastecer até 15% de sua unidade de Camaçari com o gás importado.

Além das dificuldades enfrentadas em acordos com a estatal, pesa hoje o custo da nafta sobre a produção, diante de uma competitividade cada vez maior da utilização do gás. Atualmente, cerca de 75% do custo de produção do eteno vem da nafta. A tendência é de que a empresa liderada pelo CEO Carlos Fadigas passe a aumentar seus investimentos em gás, que hoje é utilizado apenas em sua planta de Duque de Caxias, responsável por 15% da produção brasileira.

A unidade é abastecida com gás nacional e não opera com 100% de sua capacidade devido à falta de fornecimento do produto. Com a nova mudança na fábrica de Camaçari, que passará a ser flex e operar com os dois insumos, a representação do gás poderá subir para 20% da produção nacional da companhia. De acordo com a empresa, o contrato substituirá a nafta importada e não reduzirá o volume do insumo negociado com a Petrobrás.

A expectativa, no entanto, é de que a importação de gás possa alterar as relações comerciais com a estatal. A busca por novos fornecimentos, motivada pela alta no preço da nafta, pode levar a uma redução na cobrança da petroleira, que não mostrou flexibilidade nas negociações para um acordo de fornecimento no ano passado. Enquanto a Braskem mirava um acordo de ao menos dez anos, o contrato se estendeu por apenas cinco anos.