CGEE sugere criação de instituto de energias renováveis

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Até pouco tempo atrás, a energia eólica era incipiente no Brasil e representava apenas uma pequena parte da matriz energética do país. O cenário atual, por outro lado, é completamente diferente. Segundo dados do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), a fonte eólica é a segunda que mais cresce no Brasil, cerca de 25% do total de expansão, um reflexo do aumento do número de parques eólicos, especialmente nos estados do Nordeste e no Rio Grande do Sul. A expectativa é que, até 2024, ela passe a ser a terceira principal fonte do país, representando 11,6% da matriz energética.

Por isso, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), propõe a criação do Instituto Tecnológico de Energias Renováveis (Inter). A proposta consta no estudo desenvolvido pelo CGEE a pedido do MCTI. O objetivo do instituto de energias renováveis é oferecer um centro de testes para certificação de produtos da cadeia eólica, além de formar pesquisadores e trabalhadores para o setor.

“Temos um potencial imenso de geração eólica. Hoje, se precisarmos testar um equipamento, mandamos para o exterior. Isso atrapalha a nossa competitividade”, disse o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Eron Bezerra, durante o lançamento do estudo sobre o instituto de energias renováveis.

Segundo o coordenador-geral de Tecnologias Setoriais do MCTI, Eduardo Soriano, o Inter seria formatado para atuar em função das condições brasileiras. “Houve um boom da energia eólica no Brasil e faltaram recursos humanos e centros de pesquisa para atender a essa demanda, que o MCTI tem se esforçado em suprir. O Inter vai servir para atender as necessidades da indústria nacional e os tipos de ventos do Brasil”, explicou.

Segundo Soriano, as condições encontradas aqui são diferentes de outras partes do mundo. Mesmo no território nacional, elas variam. “O litoral brasileiro tem um potencial enorme para a produção de energia eólica. Mas há diferenças dos tipos de vento no Nordeste e no Sul. Por isso, é preciso montar uma estrutura que possa suprir a demanda nacional e as características de vento do Brasil, que são únicas. Visitamos centros internacionais para absorver aquilo que melhor atende nossas necessidades. E também vamos poder atender nossos vizinhos da América do Sul”, completou.

Preliminarmente, são necessários R$ 400 milhões para implantação do Inter, numa parceria do governo com a iniciativa privada. A ideia é que o instituto seja instalado no Ceará, uma vez que o estado já disponibilizou um terreno para a obra em uma área próxima ao porto de Pecém, o que facilitaria o transporte dos equipamentos eólicos a serem testados.