Cobrança extra na conta de luz acaba, mas economia ainda é pequena

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A cobrança extra na conta de luz acabou este mês. Mas a economia ainda é pequena, perto do que a energia subiu no ano passado. Não é à toa que a conta de luz está entre as despesas que mais pesam no orçamento. A queda nunca vem proporcional ao aumento. Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito mostra que, para quase 40% dos consumidores, contas de energia, gás, água e telefone representam um quatro das despesas de casa.

O verão mais chuvoso não fez bem só para a paisagem. Os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste, que representam cerca de 70% da capacidade de geração de energia elétrica do país, estão com quase 60% por cento do volume de armazenagem. É praticamente o dobro do que tinha no mesmo período do ano passado.

Os reservatórios do Nordeste, que ficaram quase no zero, estão com 35% da capacidade. Além disso, a desaceleração da economia reduziu o nível de consumo de energia, principalmente na indústria. Resultado: o governo desligou boa parte das usinas termelétricas, que geram energia a um custo mais alto. E a partir desse mês o brasileiro não vai mais pagar a sobretaxa que custeava justamente essa geração mais cara.

Com a bandeira verde, em média, a conta de um brasileiro que consome 200 quilowatts/hora será de R$ 78,88, uma queda de 3,7% em relação a uma conta equivalente, com bandeira amarela, que estava em vigor até então. Em relação à bandeira vermelha vigente em janeiro, a queda é de 12%.

“É significativo sim, tendo em vista os orçamentos domésticos, familiares. Agora, é bom a gente ter em memória que, comparativamente com o que aconteceu no ano passado, é ainda muito pouco. No ano passado a energia elétrica subiu, na média brasileira, 50%”, explica o presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales.

Especialistas em energia alertam que o nível dos reservatórios ainda não subiu o suficiente. Principalmente na Região Nordeste.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico disse que decidiu adotar a bandeira verde por causa do aumento da oferta de energia , da melhora da situação dos reservatórios e também porque considera o consumo no país estável.