CPFL Energia registra lucro líquido de R$ 267,2 milhões no 1T16

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A CPFL Energia, grupo privado do setor elétrico brasileiro, registrou aumento de 6,7% no lucro líquido gerencial no primeiro trimestre de 2016 na comparação com o mesmo período de 2015, passando de R$ 250,5 milhões para R$ 267,2 milhões. O resultado gerencial desconsidera os itens não recorrentes, além de consolidar de forma proporcional os ativos de geração e ajustar a variação cambial da tarifa de Itaipu, cujo impacto no lucro líquido é neutro.

Entre os destaques positivos do período está a redução no saldo a receber dos consumidores na conta-gráfica (CVA) das concessionárias. Ao final de dezembro de 2015, o valor acumulado na CVA era de R$ 1,7 bilhão. Em 31 de março de 2016, havia caído para R$ 700 milhões. A redução de 56% se deve: 1) à revisão tarifária da CPFL Piratininga (outubro de 2015); 2) à redução no valor da cota do encargo setorial CDE para o ano de 2016; e 3) à diminuição da tarifa em dólar de Itaipu.

Outro destaque do trimestre foi a redução de R$ 143 milhões nas despesas com o GSF (Generation Scaling Factor) no segmento de geração. As usinas da Companhia aderiram aos termos propostos pelo governo federal para a repactuação do risco hidrológico no setor de geração para os contratos no mercado regulado. Com essa decisão, o Grupo mitigou esse risco em suas operações.

Em 22 de março, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o processo de revisão tarifária de cinco distribuidoras do Grupo, com efeito médio a percebido pelos consumidores de: CPFL Jaguari (13,25%), CPFL Mococa (9,02%), CPFL Leste Paulista (13,32%), CPFL Santa Cruz (7,15%) e CPFL Sul Paulista (12,82%).

Em que pese o crescimento do lucro líquido, a geração de caixa medida pelo Ebitda teve recuo de 5,3% no mesmo intervalo, de R$ 1,003 bilhão para R$ 949 milhões. Essa redução reflete a desaceleração do mercado na área de concessão do Grupo e a menor contribuição da CPFL Renováveis no resultado, em função da diminuição da geração eólica com o enfraquecimento dos ventos na Região Nordeste do País.

O Grupo registrou queda de 6,4% no consumo de energia na área de concessão de suas oito distribuidoras, que atuam em 571 municípios de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. No primeiro trimestre de 2016, o volume faturado de clientes livres e cativos somou 14,1 mil GWh, inferior aos 15,1 mil GWh apurados em igual período de 2015, em função da queda da produção industrial, do menor volume de vendas do comércio varejista e da redução da massa de renda real.

As concessionárias do Grupo registraram queda no consumo de energia em todas as classes. Entre os consumidores residenciais, a redução foi de 4,6%. Nos clientes comerciais, a retração foi 5,2%. O consumo industrial teve forte diminuição de 10,5%. As vendas de energia no mercado cativo recuaram 5,2%, para 10,6 mil GWh, e o consumo faturado dos clientes livres pela Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) teve queda de 9,7%, totalizando 3,6 mil GWh.

A receita líquida do Grupo teve retração de 19,6%, para R$ 4 bilhões, já excluindo a receita de construção da infraestrutura da concessão.

Resultado em IFRS

A CPFL Energia apurou lucro líquido de R$ 232 milhões no primeiro trimestre de 2016 no padrão contábil internacional IFRS, forte crescimento de 63,3% frente ao mesmo período do ano passado. O Ebitda teve recuo de 2,6% em igual intervalo, para R$ 947 milhões.

Investimentos em 2015 e 2016

Os investimentos da CPFL Energia totalizaram R$ 446 milhões no primeiro trimestre de 2016 no padrão IFRS, aumento de 34,8% na comparação com os R$ 331 milhões apurados em igual intervalo de 2015. Deste valor total, R$ 208 milhões foram destinados ao segmento de distribuição, crescimento de 18,7% no mesmo período. Os recursos foram aplicados na ampliação, reforço, melhoria e manutenção do sistema elétrico, na infraestrutura operacional, na modernização dos sistemas de suporte à gestão e operação, em serviços para o atendimento ao cliente e em projetos de P&D.

No segmento de geração, os investimentos do Grupo somaram R$ 230 milhões no primeiro trimestre de 2016, crescimento de 56% na comparação com os R$ 147,3 milhões de igual período de 2015. Desse valor, R$ 3 milhões foram investidos em geração convencional e R$ 227 milhões em geração renovável, por meio da CPFL Renováveis. A empresa aplicou os recursos na construção do Complexo Eólico Pedra Cheirosa e na conclusão da PCH Mata Velha e dos Complexos Eólicos Campos do Ventos e São Benedito, que iniciaram operação neste segundo trimestre.

Para 2016, o Grupo projeta investir R$ 2,813 bilhões na expansão e manutenção dos seus negócios. Deste total, R$ 1,516 bilhão deverão ser aplicados no segmento de geração, notadamente na implantação de usinas eólicas e PCH. Outros R$ 1,178 bilhão deverão ser destinados aos projetos na área de distribuição. Os negócios de comercialização e serviços devem receber outros R$ 119 milhões.