É tempo de otimismo

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Andrew Frank Storfer, CEO da América Energia

Andrew Frank Storfer, CEO da América Energia, faz balanço de 2018 e apresenta suas perspectivas para 2019

O final do ano é um momento propício para refletir. Quanto o dia 31 de dezembro se aproxima, mais propriedade temos para fazer um balanço do que de mais importante aconteceu ao longo dos últimos meses. Dezembro, normalmente, significa a desaceleração de um cotidiano agitado, em que as horas parecem voar. Mas não se trata apenas de olhar para trás. Dezembro é o mês em que vislumbramos o futuro, fazemos planos, criamos expectativas e, por mais otimista que possa parecer, desejamos um mundo melhor.

UFV Padre Furusawa

O ano de 2018 chega ao fim. E se o momento é de reflexão, por quê não analisar o ano do setor energético brasileiro? Apesar das perspectivas otimistas de futuro, é preciso olhar para o passado e com olhar crítico. Com longa experiência neste setor, Andrew Frank Storfer, CEO da América Energia, reconhece que o ano que se encerra trouxe uma certa frustração à atividade, acarretada por decisões políticas que pouco avançaram. “A expectativa era que as mudanças que pretendíamos no setor tivessem avançado, o que acabou não se realizando”, explica.

O ano que ficou para trás foi atípico, agitado. Não à toa, em 2018 tivemos Copa do Mundo, eleições e feriados prolongados. O ritmo de trabalho diminuiu. O cenário político mudou. “Esses fatores fizeram com que esse ano fosse menos eficaz do que poderia ter sido no sentido de modernizar o país. Em termos de crescimento, poderia ter sido melhor”, completa Andrew. Em abril, o comando do Ministério de Minas e Energia e da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) teve mudanças. Por outro lado, o Projeto de Lei 1917/15, que dispõe sobre a portabilidade da conta de luz, ainda continua sem grandes alterações.

Não podemos planejar o próximo ano sem mencionar o novo Governo Federal. “Deverá ser um governo menos estatizante, menos interferente na economia”, explica Storfer. Na visão do CEO da América Energia, a expectativa é que o país tenha uma cadeia produtiva mais eficiente e atrativa a investimentos. “O ano se apresenta como bastante promissor em termos de crescimento da economia, particularmente estimamos um crescimento econômico de 2,5% a 3,0%, em termos de PIB (Produto Interno Bruto)”, completa Storfer. Ele afirma que nesse ano, o PIB deve fechar em torno de 1,2% de crescimento.

A modernização do setor elétrico brasileiro é um caminho sem volta, no qual o Brasil caminha superando obstáculos. Nesse sentido, a agenda de 2019 traz algumas pautas fundamentais para esse setor.

“Precisamos resolver questões pendentes, e que são muito complicadas, como é o caso do GSF. Há também regulamentações referentes a algumas mudanças a serem feitas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e parte da modernização passa pelo Congresso, como é o caso da PL 1917.”

Fontes hidrelétricas

CGH Pedra Lavada

As fontes hidrelétricas são fundamentais para a matriz energética brasileira. Mas nessa área, as grandes usinas (UHEs) não navegam sozinhas. As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) têm relevância crescente no país. Essas duas fontes constituem cerca de 4% da matriz energética do país, mas carregam um enorme potencial gerador. Storfer ressalta a importância das PCHs: “São usinas que estão localizadas próximas aos centros de consumo. A vantagem dessas usinas é que você economiza com linhas de transmissão, já que utilizam linhas de transmissão curtas, e ainda melhoram a qualidade da energia fornecida”, explica Storfer.

Outra vantagem das PCHs é o baixo impacto ao meio ambiente local. “Em termos ambientais, elas não agridem o meio ambiente. Além disso, as PCHs melhoram a qualidade da água pela oxigenação através de turbinamentos”, diz Storfer. Apesar da pequena participação, as fontes são uma contribuição adicional ao setor energético brasileiro. Atualmente, as PCHs têm cerca de 436 empreendimentos em operação no país, enquanto as CGHs possuem 554 unidades espalhadas pelo território.

As fontes renováveis, principalmente a eólica e a solar fotovoltaica, são duas grandes tendências do mercado brasileiro. Storfer destaca que as usinas solares fotovoltaicas, por exemplo, têm um tempo de construção menor, de 6 a 8 meses, se comparadas com empreendimentos de CGHs, que levam em média de 14 a 18 meses. “Além da possibilidade de escolher o melhor ponto para instalação para a construção, o que gera um melhor controle de custos.”

Storfer também destaca outras duas fontes renováveis, que crescem a passos largos no país: eólica e solar. Segundo Storfer, diante do fato de serem intermitentes, é preciso investir em soluções combinadas como, por exemplo, térmicas com partida rápida e mesmo baterias que possam armazenar a energia produzida. “Hoje, são as usinas térmicas a combustíveis fósseis que são utilizadas quando essas outras fontes não estão gerando. Isso tem um custo muito mais alto para o país, além de serem fontes poluidoras”, explica Storfer.

“Por esse motivo que, no mundo todo, o planejamento da inserção destas fontes na matriz de geração inclui térmicas associadas e se busca o desenvolvimento de baterias competitivas em grande escala, de modo a resolver esse obstáculo das fontes intermitentes.”

Mercado livre
Nesse ano, o mercado livre de energia atingiu 30% de toda a energia consumida no Brasil. Essa modalidade de comercialização tem crescido nos últimos anos no país, e se mostrado como uma alternativa aos clientes que desejam ter mais poder de escolha para negociarem a própria energia. “Apenas empresas que têm demanda igual ou superior a 500 quilowatts podem ir para o mercado livre, excluindo empresas com demanda menor, e também consumidores residenciais. São barreiras que podem ser eliminadas”, ressalta Storfer.

O CEO da América Energia espera que, nos próximos 5 ou 10 anos, esse mercado possa corresponder à metade de toda energia comercializada no país. “A América tem uma participação expressiva no mercado livre. Essa é a nossa perspectiva de crescimento, acompanhando o que acontece no mercado”, explica Storfer.

A América Energia também está conectada com outra importante tendência do setor energético brasileiro: os consumidores prezam, cada vez mais, por eficiência no consumo de energia. Fazer mais com menos, reduzindo os impactos ao meio ambiente: essas são algumas das vantagens buscadas pelos empresários. Já com grande atuação nesta área, a América tem se empenhado muito em oferecer ao mercado produtos que atendam às demandas dos clientes. “Inovamos no conceito de eficiência, trazendo uma gama de soluções modernas, extremamente eficientes, com comprovação de redução de custos, com maior economia no gasto com energia”, completa. Ele explica que os clientes da América Energia na área de Eficiência Energética chegam a obter economia tipicamente de 20%, chegando até mesmo a 40% em alguns casos.

Novidades pela frente

PCH Secretário

A América Energia tem trabalhado nos últimos anos na construção de usinas geradoras de energia. “Na parte solar, a gente implementa usinas voltadas para geração distribuída, ou mercado livre. No segmento hidráulico, participamos tanto do mercado livre, quanto do mercado cativo pelos leilões. Para os próximos 10 anos, nós temos um grande volume de investimentos a serem feitos”, completa.

“Para fortalecer nossa atuação nos diferentes nichos em que estamos presentes, estamos nos modernizado, investindo em tecnologia, desenvolvendo novas soluções na parte de eficiência e fazendo a gestão cada vez mais alinhada com a inteligência de mercado que a gente possui”, explica Storfer. O CEO da América Energia acredita em dois princípios para impulsionar o crescimento da empresa no próximo ano: oferecer mais opções aos consumidores e reduzir custos de maneira significativa.

“Para 2019, minha expectativa é de mudanças regulatórias, que além de modernizando, permitam uma fluidez maior entre os mercados livre e cativo.”

Ao analisar os desafios do próximo ano, Storfer destaca a necessidade de fornecer aos clientes soluções otimizadas, seguras, econômicas e em consonância com o que há de mais moderno no mercado. “Temos muitas novidades pela frente. As baterias estão chegando, por exemplo. Temos certeza que vão surgir soluções promissoras, tudo está evoluindo”, completa Storfer.

América Latina
Atuando há quase 20 anos no setor energético brasileiro, a América Energia S/A está presente em quatro segmentos: a América Energia, que é comercializadora; a América Gestão, que oferece serviços para consumidores e geradoras; a América Geração, que investe em geração renovável; e a América Eficiência, que oferece eficiência energética para os consumidores.

Esta matéria foi veiculada na 34º edição da revista Full Energy.