Elevado custo da energia afeta cadeia do alumínio

42
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A cadeia produtiva do alumínio no Brasil passa por momentos difíceis. Da mineração da bauxita ao segmento de produtos acabados, cada elo enfrenta desafios provocados pela recessão, pela alta do preço da energia ou pelo excesso de oferta no mercado internacional. O segmento mais afetado no país é o de alumínio primário, que ano a ano vem acumulando quedas de produção. No primeiro semestre, a produção teve queda de 25,1% na comparação com o mesmo período de 2014. Em 2014, a baixa anual foi de 26,2%.

O fechamento da usina da Alumar, em março, é um símbolo da crise do setor. Inaugurada em 1984, a empresa controlada pela Alcoa era um dos maiores complexos de produção de alumina e alumínio primário do mundo. Com o fechamento da unidade, a Alcoa encerrou a produção de alumínio primário no país.

O principal nó para o setor é a energia. Em 2014, a produção de alumínio primário consumiu 14,5 TW/h. “Entre 2004 e 2014, o custo da energia cresceu em média 10% ao ano. A conta não fecha”, lamenta Milton Rego, presidente-executivo da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). Nem mesmo a alta capacidade de autogeração das usinas de alumínio, que chega a 9,5 TW/h é capaz de resolver o problema. “Essa energia tem um custo, não é gerada exclusivamente para as indústrias, já que o sistema elétrico nacional é interligado.”

Outro fator determinante é a atividade de reciclagem. O volume de alumínio produzido a partir de reciclagem varia de 20% a 50%, dependendo no país. No Brasil, chega a 33%.

O consumo de energia para a produção do alumínio reciclado é de apenas 5% da energia consumida no alumínio primário. “O avanço na reciclagem é positivo, mas ainda temos tributação excessiva nessa área.”

A desaceleração da economia também cobra seu preço para a cadeia produtiva do alumínio. Setores responsáveis por impulsionar o consumo, como o de construção civil e a indústria automotiva, vêm passando por dificuldades. “Até o setor de embalagens começa a se retrair, com a queda do consumo das famílias”, diz Rego. “Eu acredito na recuperação, mas a perspectiva é de que o mercado fique ainda pior antes de melhorar.”

O dólar valorizado poderia impulsionar as exportações e compensar as perdas para a indústria de produtos acabados de alumínio? “Isso pode acontecer, mas não imediatamente”, avalia Rego. “A exportação de produtos de alumínio não é uma bolsa de commodities, por isso a reação ao câmbio não é imediata.”

As dificuldades não se limitam ao front doméstico. No cenário internacional, o principal desafio da indústria é a China. O país asiático produz e consome cerca de 50% do alumínio mundial e duplicou sua capacidade de produção de 20 milhões de toneladas anuais para 40 milhões, entre 2007 e 2014.

“Esse investimento foi uma decisão política, e não econômica, para garantir insumos em indústrias consideradas estratégicas pelo governo chinês, como o setor de defesa, por exemplo”, explica Rego. A estratégia chinesa, no entanto, derrubou os preços do alumínio no mercado global. “Como a economia da China vem desacelerando, o país reduziu as compras internacionais e o consumo interno, ao mesmo tempo em que aumentou a oferta.”

No começo da cadeia, por sua vez, o Brasil mantém alta a competitividade, com jazidas de bauxita de altíssima qualidade. É possível produzir uma tonelada de alumínio a cada três toneladas de bauxita extraídas das jazidas brasileiras. A média global é de 5 para 1.

Apesar disso, o segmento também enfrenta desafios. Um deles é a infraestrutura deficiente na região produtora, no interior do Pará. “Temos problemas de logística, por exemplo”, diz Rego. “E poderíamos usar gás natural na produção, mas não temos gasodutos.”