Empresas economizam ao comprar energia elétrica no mercado livre

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Interessadas em reduzir o custo da energia, cada vez mais empresas estão migrando para o chamado mercado livre, que deve crescer 50% neste ano.

Em uma fábrica a massa leva queijo, polvilho, sal e muita energia. As bolinhas de pão de queijo saem da máquina a temperatura ambiente. Depois de atravessar a parede caem em uma espiral com temperatura de -40ºC e, em 35 minutos, estão congeladas.

Depois de pronto, o produto fica estocado a uma tempratura de menos -20ºC. A câmara fria nunca é desligada e, por isso, dá para entender porque a refrigeração e o congelamento representam 60% do consumo de energia da fábrica. Como essas máquinas são modernas e eficientes, a forma encontrada para cortar custos foi trocar o fornecedor de energia.

A empresa saiu do chamado “mercado cativo”, regulado pelo governo, e foi para o mercado livre, onde o cliente determina a quantidade de energia que vai consumir e fixa um preço por um prazo determinado. Nos dois casos a energia vem das mesmas hidrelétricas, mesmas térmicas e o que muda é a forma de contratação.

“A gente está tendo agora uma economia de aproximadamente 20% do que a gente gastava antes, estamos falando aí de em torno de R$ 25 mil ao mês. Isso, se você anualizar, dá em torno de R$ 300 mil. Para a gente significa bastante, pelo tamanho da nossa companhia e por quanto a nossa energia pesa na nossa produção”, diz Fernando Editore, diretor industrial.

Um gráfico mostra o comportamento do preço da energia. No mercado cativo, ele caiu em 2013, quando o governo determinou uma redução na tarifa, mas subiu no fim de 2014 e disparou em 2015 pela falta de chuvas. Foi nesse período também que os preços do mercado livre dispararam porque ele é muito mais sensível às condições de oferta e demanda. Mas, agora, com a desaceleração da economia, a demanda caiu e o preço voltou a ficar atrativo, bem mais barato que no mercado cativo.

Para comprar energia, as empresas procuram comercializadoras. A folha de pagamento da empresa que decidiu adotar essa alternativa cresceu 70% só neste ano e ela alugou mais um andar para acomodar novos funcionários.

“O consumidor busca três coisas, essa economia quando ele migra, uma previsibiliade de custo, porque ele sabe quanto ele vai pagar nos proximos anos, porque ele tem um contrato com preço fixo, volume fixo, entao ele sabe quanto ele vai pagar, e ele procura também hoje mostrar que ele consome energia de fonte renovável. Então a empresa consumir energia de fonte renovável”, diz Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc.

Na quarta-feira (18), a energia no mercado livre está 40% mais barata do que no mercado cativo, segundo o especialista Erik Rêgo, mas a diferença pode variar, para cima ou para baixo, dependendo da demanda e das chuvas. Por isso, esse é um bom momento para quem quer garantir uma boa tarifa.

“Então o que ele tem que fazer para se proteger é, quando ele migrar agora, fazer um contrato mais longo, de dois, três, quatro anos, que ele vai travar o preço nesse prazo, e é um preço que vai ser mais baixo do que o que é praticamente no mercado cativo”, aponta Erik Rego, diretor da consultoria Excelência Energética.

As empresas interessadas em entrar no mercado livre devem se associar à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Mais de mil estão na fila.