quarta-feira, julho 17, 2019
Notícias Mercado Empresas reveem planos com crise da Petrobras e possível mudança de regras...

Empresas reveem planos com crise da Petrobras e possível mudança de regras no pré-sal

128
RJ - MOVIMENTAÇÃO/PETROBRAS - GERAL - Movimentação em frente ao prédio da Petrobras localizado na Avenida Republica do Chile, n° 65, no centro do Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira (01). 01/04/2014 - Foto: ALE SILVA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A redução do tamanho da Petrobras, com a venda de seus ativos em diversos setores, vai provocar um redesenho no setor de óleo e gás no Brasil. Impulsionadas pela perspectiva de mudança nas regras da estatal no pré-sal — com votação prevista para esta semana na Câmara —, pela retomada dos preços do petróleo para a casa dos US$ 50 por barril e por um calendário periódico de leilões de áreas no mar e em terra, as empresas privadas já reavaliam planos de investimento para o Brasil e se reúnem com membros do governo para avaliar oportunidades, destacam empresários e fontes do setor.

Segundo especialistas, há perspectivas de novos investimentos em várias frentes: no pré-sal e em campos de petróleo em terra aos segmentos de gás e distribuição de combustíveis, fruto em grande parte do plano de desinvestimento da Petrobras. Só para o pré-sal, de acordo com a Firjan, a estimativa é de investimentos de US$ 30 bilhões por ano em toda a cadeia de óleo e gás. Com isso, seria possível gerar um milhão de empregos até 2030.

Leilão de R$ 20 bilhões no Pré-sal
Na esteira das negociações no Congresso para que a Petrobras deixe de ser a operadora única no pré-sal e não tenha mais a obrigação de entrar em todas os campos, o governo já prepara um leilão para as áreas ultraprofundas. Segundo fontes, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deve publicar neste semestre edital para o 1º Leilão de áreas unitizadas (que contêm reservas de petróleo que extrapolam campos já concedidos) do pré-sal. O leilão tem previsão para acontecer em meados do ano que vem e deve gerar cerca de R$ 20 bilhões em bônus, valor superior aos R$ 15 bilhões arrecadados com o leilão da área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos em 2013. O Ministério de Minas e Energia disse que ainda não há definição, mas que a 14ª Rodada de Licitações pode ocorrer junto com o leilão de áreas unitizadas.

O governo conta com a aprovação na Câmara do projeto de lei que altera a exclusividade da Petrobras em atuar no pré-sal até o fim deste ano, e a indústria conta com a ampliação do regime tributário especial do setor, o Repetro, para além de 2019. De acordo com uma fonte do governo, a previsão mais conservadora é que sejam realizados leilões bienais, mas a meta é voltar a fazê-los todos os anos, como ocorreu entre 1998 e 2008.

A quebra do monopólio (ou seja, o fim da exclusividade da Petrobras como operadora do pré-sal) vai ocorrer logo. O Brasil tem opções atrativas para o setor. No leilão do pré-sal, serão quatro áreas. O cenário que se trabalha é que a Petrobras não entre, até para quebrar a obrigatoriedade de se explorar o pré-sal. Já há interesse de empresas americanas, que não investiram no Brasil nos últimos leilões, e asiáticas, que ainda não estão presentes aqui. Companhias como Exxon, Chevron, Shell, BP, Total, Petronas e Saudi Aramco podem participar do certame porém têm caixa e fôlego,  informou uma fonte do governo.

Entre as áreas em estudo para o leilão estão Carcará, Sapinhoá, Gato do Mato e Tartaruga Mestiça, na Bacia de Santos. Oswaldo Pedrosa, presidente da PPSA, diz que estão em andamento trabalhos para formular as diretrizes de como será feito o desenvolvimento das áreas unitizadas no pré-sal.

“Não há dúvida de que haverá interesse privado. Se a legislação for alterada, o pré-sal estará na linha de frente dos investimentos das empresas privadas, pois os poços têm uma elevada produtividade.”

Segundo Jorge Camargo, presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), a cadeia do setor já estuda como deve ser feita a mudança de modelo, que era dominado pela Petrobras em todas as áreas, para um privado. Essa análise se faz necessária, segundo ele, porque, com a retração dos investimentos da Petrobras, a estatal não deve mais despontar na liderança de novos projetos nas área de refino, gás e energia e distribuição de combustíveis — que certamente terá a participação da empresa reduzida com a venda de parte do capital da BR Distribuidora. Para ele, a Petrobras focará suas atividades exploratórias nos projetos mais rentáveis, como o pré-sal.

“O velho não se foi, e o novo ainda não chegou. A indústria petrolífera brasileira vive um momento de transição, de mudança do protagonista estatal, que era a Petrobras, para o protagonista privado. Vão surgir oportunidades para o setor privado, diversificando o mercado e tornando o setor mais competitivo, mais transparente. O desenvolvimento desses campos vai gerar a curto prazo investimentos de US$ 120 bilhões”, disse Camargo.

Para Karine Fragoso, gerente de Petróleo da Firjan, o pré-sal é atraente para qualquer companhia. Mas, diz ela, é preciso que o governo dê condições para transformar as reservas, estimadas em 56 bilhões de barris de óleo equivalente, em riqueza para o país.