Especialista holandês fala sobre o futuro da biomassa na Europa

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BioBased Economy é um termo aplicado para descrever todas as atividades econômicas referentes ao desenvolvimento, produção e aplicação de processos que utilizam materiais orgânicos (cana de açúcar, madeira e milho, etc) como matéria-prima para produção de combustíveis, plásticos entre outros produtos.  Com o objetivo de discutir a posição da Europa no desenvolvimento dos negócios baseados em biotecnologia, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA USP) promoveu no último dia 30 de maio a palestra “Is Europe losing momentum on BioBased Business?”, ministrada pelo professor Emiel Wubben, da Wageningen University (Holanda), com a participação da Profa. Dra. Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). O evento foi organizado pelo Cors (Center Organization for Studies), liderado pela professora Maria Sylvia Macchione Saes.

Para Emiel Wubben, a Europa enfrenta alguns entraves para se tornar mais competitiva em relação ao uso de biomassa como substituto dos derivados de petróleo.  Segundo ele, existe um potencial de crescimento muito grande para essa indústria no continente que ainda não é totalmente explorado. “Hoje, enquanto o Brasil produz 8,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar ao ano, os EUA produzem 103 milhões de toneladas de milho e a Europa produz 103 milhões de toneladas de trigo. Poderíamos utilizar muito mais o potencial da biomassa desses materiais para substituir o uso dos derivados de petróleo”.

O especialista apontou como principais entraves para aumentar os investimentos de empresas do setor na Europa a falta de uma regulamentação clara e pressões da opinião pública para a diminuição das emissões de gases que produzem o efeito estufa. “Em 2014, cinco minas de carvão antigas foram fechadas por razões ambientais. O objetivo dos governos é reduzir em até 25% as emissões de gases prejudiciais à camada de ozônio até 2020”, explicou. Como ponto positivo para atrair investimentos na Europa Wubben citou a boa infraestrutura do continente, além de sua vanguarda em pesquisa de novas tecnologias.

A professora Elizabeth Farina destacou algumas das características desse mercado no Brasil, Segundo ela, “durante a década de 70 tivemos grandes investimentos estatais para incentivar a substituição da gasolina pelo etanol, por exemplo. Hoje, no Brasil, 69% da nossa frota de veículos são flex, ou seja, são 25 milhões de automóveis que utilizam etanol. Além disso, temos no mercado muitos outros produtos que são derivados da cana-de-açúcar como, por exemplo, garrafas de plástico biodegradáveis”.

Farina apontou como entraves para mais investimentos no Brasil os crescentes custos de produção e, em certa medida, a falta de uma regulamentação clara para o setor. “É preciso estar atento sobre os efeitos da crise também nos investimentos desse setor, os custos no Brasil estão aumentado cada vez mais”, concluiu a presidente da Unica.