Etanol de milho não compete com o de cana

Produção das duas matrizes deve se equilibrar na próxima década e, juntos, eles devem manter o Brasil na vanguarda da transição energética global, como o principal fornecedor de energia limpa para o mundo

Diferentemente do que muitos pensam, o avanço do etanol de milho no Brasil não representa uma ameaça aos produtores de etanol à base de cana-de-açúcar. Em recente participação no 34º Seminário Internacional da Organização Internacional do Açúcar (ISO), o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, levantou essa bandeira. 

Na sua visão, a crescente demanda pelo biocombustível no Brasil — especialmente no setor automotivo e em novas aplicações logísticas — cria espaço suficiente para que as duas rotas de produção tenham mercado consumidor e não compitam diretamente entre si. 

Como destaca Nastari, o mundo ainda não conhece o calibre e o potencial do etanol brasileiro para a mobilidade sustentável global.

Atualmente, existem no Brasil 28 usinas de etanol de milho em operação, com capacidade instalada de produção de 12,32 bilhões de litros de etanol por ano, além de 17 unidades em construção e 19 em fase de projeto. 

Todas essas plantas deverão possuir uma capacidade instalada de produção do biocombustível à base do cereal de 24,7 bilhões de litros até a temporada 2034/35, volume praticamente igual ao que as usinas de etanol de cana produzem atualmente. Na safra 2025/26, a fabricação de etanol de cana deve totalizar 33,8 bilhões de litros; e, segundo a DATAGRO, não há perspectivas de que esse número aumente significativamente nos próximos dez anos. 

Assim, na próxima década, a produção de etanol de milho e de cana deve se equilibrar e, juntos, manter o Brasil na vanguarda da transição energética global, como o principal fornecedor de energia limpa.  

A tendência para os próximos anos, ainda segundo o presidente da DATAGRO, é de maior integração entre cana e milho nas usinas brasileiras, uma vez que as plantas dedicadas ao etanol de milho precisam adquirir biomassa para geração de energia, cujos custos estão em alta. Já as usinas de cana, por sua vez, podem usar o bagaço como fonte energética para processar o milho, tornando-se flex, aumentando eficiência e reduzindo custos.

Brasil deve processar mais cana e produzir mais açúcar em 2026/27

As usinas do Centro-Sul do Brasil deverão processar cerca de 620 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27 – que terá início em 1º de abril do ano que vem –, aponta a primeira projeção da DATAGRO.

Para a temporada em vigor (2025/26), a DATAGRO está projetando a moagem de 607,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Até o dia 30 de novembro, haviam sido processadas 592,27 milhões de toneladas da matéria-prima, de acordo com dados da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). 

Voltando às atenções à próxima temporada, a DATAGRO estima que a produção média de ATR ficará em 139,5 kg/tc – ante 137,4 kg/tc na temporada 2025/26 – mas o mix de produção deve iniciar a safra 26/27 mais voltado à produção de etanol, o que deve gerar uma produção de açúcar estimada em 40,8 milhões de tons, volume praticamente igual ao esperado para ser finalizado na safra 25/26.

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