Futuro otimista para os biocombustíveis

Presidente do Conselho Superior da Ubrabio e sócio da Granol, Juan Diego Ferrés atua ativamente desde 2000 a favor do biodiesel

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Um defensor incondicional do biodiesel. Assim pode ser definido o uruguaio Juan Diego Ferrés. Sócio e diretor industrial da Granol desde 1977, Juan Diego Ferrés é engenheiro industrial com especialização no processamento de oleaginosas. Portanto, conhece de perto o potencial do óleo extraído de diferentes fontes. Sabe com autoridade que, do grão (dentre outras fontes) pode-se produzir biocombustíveis de alta qualidade e gerar muita riqueza para o país.

Presidente do Conselho Superior da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) desde 2007, Ferrés vem atuando ativamente desde 2000 como um dos principais interlocutores do setor privado diante do governo federal para a idealização do programa nacional de biodiesel.

Segundo ele, o potencial do combustível é grande para a matriz energética brasileira. “Ancorado nas duas pontas: da produção com condições inigualáveis no contexto global, e do consumo, na substituição progressiva e crescente do combustível líquido mais usado no país, que é o óleo diesel de petróleo.”

Esperançoso, Ferrés acredita que o consumo crescerá acima do Produto Interno Bruto (PIB) por causa das características da atual fase de crescimento brasileiro. Além disso, afirma que a produção de biodiesel pode triplicar nos próximos dez anos e chegar a 18 bilhões de litros por ano, com incremento esperado superior a 200%. “Ainda há muito o que avançar, se considerarmos que, ainda assim, continuaremos dependentes de importações de óleo diesel fóssil refinado do exterior.”

Além disso, Férres afirma que o RenovaBio – programa voltado ao estímulo da cadeia dos biocombustíveis – vai criar um mercado para remunerar a descarbonização. Para ele, a participação do biodiesel na matriz energética nacional pode ser cada vez maior, superando a substituição de 25% do total do consumo pelos veículos com motores de ciclo diesel até 2028.

Fórmula não é eterna

“Essa fórmula da mistura obrigatória é uma boa fórmula, mas não é eterna”, destaca. A justificativa é que a obrigatoriedade determina um volume de demanda que precisa ser compatível com a oferta. Dessa forma, é preciso pouco de excesso de oferta para que seja concorrencial.

Entretanto, não pode ser como está hoje, com o dobro de capacidade de produção em relação à demanda. “Por exemplo, o petróleo vai baixar de preço sempre que necessário, mas ele não pode ser usado de uma forma irresponsável porque compromete o meio ambiente. Então, a gradualidade tem que ser planejada e gerida para que não se tenha um consumo irracional que comprometa a mudança de clima e a poluição ambiental.”

Defende que essa mistura obrigatória não seja tratada só como livre mercado, mas como um começo. “Depois você precisa criar equações econômicas que permitam dizer que quando você faz uso de fóssil você está agravando as mudanças climáticas. Essa fórmula econômica é o que propõe o RenovaBio.”

Bioquerosene

Quando questionado sobre os desafios do desenvolvimento do bioquerosene, Ferrés afirma que eles começam nas moléculas e terminam na diplomacia. Para o desenvolvimento desse combustível, a exigência é que seja obtido um produto composto pelas mesmas moléculas de alta sensibilidade à segurança do uso em aeronaves, compatível com a tecnologia e os materiais das turbinas. “Isto requer a inserção de alguns processos químicos e bioquímicos nas rotas de produção industrial.”

Já pelo consumo, afirma, é preciso uma agenda de descarbonização internacionalizada. Assim, as aeronaves de percurso internacional voam de um país para outro e retornam, diretamente ou após integrarem redes integradas. “Daí que serão abastecidas em todos os países que fazem parte dessas rotas, com combustível idêntico com especificação e qualidade garantidas”, conclui.

No futuro, ele acredita que o setor, enquanto busca se consolidar, irá enfrentar inúmeras negociações bilaterais, agendas por blocos e discussões multilaterais. Estarão ainda em pauta questões como desenvolvimentos científicos e tecnológicos, investimentos, matérias-primas, regulamentos, logística e competitividade no ambiente global.

Perspectivas otimistas

“Tudo depende de nós. Vamos em frente!”, afirma Juan Diego Ferrés sobre o as perspectivas para potencial brasileiro. De acordo com ele, é preciso boa gestão e estratégias adequadas para brindar a população brasileira com um futuro melhor.

Além disso, o presidente possui dois grandes sonhos que ainda pretende realizar. Um deles é colocar o Brasil à frente dos outros países quanto ao desenvolvimento de uma indústria poderosa de querosene junto à Ubrabio. Outro projeto é propor e auxiliar na implementação de uma revolução dos conceitos atuais das usinas de geração hidrelétrica no país.

“A participação do biodiesel na matriz energética nacional pode ser cada vez maior, superando a substituição de 25% do total do consumo pelos veículos com motores de ciclo diesel até 2028.”

Granol

“Dediquei minha trajetória para que a Granol se transformasse numa das maiores processadoras de soja e líder na produção de biodiesel no país”, relata Férres. Fundada em 1966, a empresa foi pioneira na produção de biodiesel no Brasil em 2006, quando o uso ainda era facultativo. Em 2007, com a obrigatoriedade da adição ao diesel, a Granol se manteve na liderança do setor até 2015, quando também era a maior esmagadora de capital 100% nacional.

“A Granol vem retomando o crescimento recentemente e passou a faturar algo acima de R$ 300 milhões por mês, dos quais mais da metade provêm das vendas de biodiesel. O restante advém da comercialização de farelo de soja, óleos comestíveis a granel e envasados, glicerina, lecitina, tocoferóis, além de outros diferentes produtos de menor significação”, finaliza.

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