Gargalos em transmissão ainda levarão tempo para serem solucionados, diz MME

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Secretário do Ministério de Minas e Energia avaliou como positivo resultado do leilão de transmissão de sexta-feira (28), mas reconheceu que problemas permanecem

Os gargalos no segmento de transmissão de energia elétrica ainda estão distantes de serem equalizados pelo setor. Segundo o secretário de energia elétrica do Ministério de Minas e Energia, Fábrio Lopes Alves, o leilão de transmissão realizado na última sexta-feira (28) ajuda no avanço de empreendimentos importantes, mas levará tempo para resolver os problemas da rede.

“[Alguns] estados têm reclamado, mas não posso fazer novas usinas se não tenho condições de escoar essa energia. Esse leilão ajuda a resolver alguns problemas, mas leva tempo para você [equalizar] isso”, afirmou Alves. Ele citou o caso da Abengoa, empresas que detinha vários empreendimentos de transmissão e entrou com pedido de falência, deixando de cumprir com as obras.

O leilão de transmissão de sexta-feira foi o segundo realizado neste ano, com 21 dos 24 lotes sendo arrematados pelos investidores, o que marcou uma mudança na tendência vista nos últimos leilões. Em abril, apenas 14 dos 24 lotes oferecidos receberam ofertas.

“Temos R$ 11,5 bilhões nesse segundo leilão, onde vendemos 92% dos lotes. Se somarmos com o resultado do primeiro leilão [de abril], temos R$ 18,5 bilhões no mesmo ano”, afirmou o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Jurhosa Júnior, em coletiva de imprensa realizada na sexta-feira. Ele contou que a agência deve realizar novos certames em 2017 e que o montante deve ser equivalente ao negociado no último leilão.

Na avaliação do presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, os leilões do setor elétrico estavam registrando fracassos sucessivos por uma série de problemas, mas as mudanças feitas no edital do último leilão mostraram ter o efeito desejado, com a resolução de parte dos pleitos do setor.

“Certamente esse leilão por si só não resolve os problemas do segmento de transmissão, mas é um sinal positivo e mostra que o modelo anterior não estava funcionando, porque tínhamos casos como o de empresas que não tinham condições de entregar os projetos e, de fato, as obras não foram concluídas”, afirmou Sales, citando o caso da Abengoa. A companhia entrou com pedido de falência e não entregou projetos de linhas de transmissão.

Fornecedores

O número de lotes arrematados no leilão deve ajudar a estimular a atividade da cadeia local de fornecedores de equipamentos para linhas de transmissão. “O resultado do leilão foi excelente, não podia ser melhor do nosso ponto de vista, porque tivemos grandes empresas como a Alupar, a Equatorial e a CTEEP, e que já são clientes da cadeia local de empresas”,comentou o diretor da área de geração, transmissão e distribuição da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletroeletrônica (Abinee), Newton Duarte.

De acordo com ele, mesmo os produtos importados para atender a esses empreendimentos devem ser comercializados por empresas com atividade local, garantindo um bom retorno em negócios realizados no País. “Mas as indústria locais seguem muito afetadas, em função da carga muito baixa de demanda nos últimos anos e, com custos fixos que se avolumaram, não estamos no patamar de faturamento para fazer as fábricas voltarem à atividade total”, ressaltou ele. As encomendas que o representante espera para a cadeia a partir dos empreendimentos leiloados pela Aneel, serão importantes na retomada da atividade do segmento.