Gestão Obama tenta implementar acordo do clima antes de Trump assumir

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Em entrevista coletiva à imprensa na 22.ª Conferência do Clima (COP22), que está sendo realizada em Marrakesh (Marrocos), o negociador-chefe dos EUA, Jonathan Pershing, disse esperar que o “momentum” criado com o Acordo de Paris de algum modo seja capaz de evitar o abandono total do país aos compromissos firmados.

Segundo ele, nas próximas semanas deve chegar, ao Departamento de Estado, a equipe que vai fazer a transição na política diplomática. “Neste momento eu não tenho informação sobre quando esse processo vai começar ou quem vai ter um papel nele. E não posso falar pela equipe do presidente eleito ou como vai lidar com a política climática.

O que eu sei, no entanto, é que diante do poder do enorme momentum criado em Paris e construído ao longo do ano, os países estão profundamente comprometidos em ver isso gerar um fruto real”, disse.

“Mercados estão se movimentando e os países estão seguindo isso. Preços para energia renovável estão continua e dramaticamente caindo. Bancos e agências financiadores estão fazendo o trabalho para financiar soluções de baixo carbono. Foi necessário um esforço global para chegar ao Acordo de Paris. Chefes de estado podem e vão mudar, mas estou confiante que podemos e vamos sustentar o esforço para lutar contra as mudanças climáticas”, afirmou em suas palavras iniciais.

No domingo (13), o secretário de Estado, John Kerry, antes de embarcar da Nova Zelândia para o Marrocos, declarou à agência Reuters que o governo Obama faria o possível para implementar o acordo antes da posse de Trump. “Até 20 de janeiro, quando está administração termina, nós pretendemos fazer tudo o que for possível para cumprir nossa responsabilidade com as gerações futuras para ser capaz de lidar com essa ameaça à vida no planeta.”

Pershing afirmou que na quarta-feira o governo vai lançar a estratégia “para sugerir algumas trajetórias que atendem ao objetivo”, mas não conseguiu responder como poderá garantir que Trump não desfaça tudo depois.

Os Estados Unidos se comprometeram, junto ao Acordo de Paris, a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 26% a 28% até 2025. A maior parte dessa meta deveria ser cumprida com base na regulação do sistema energético. Mas Trump disse que reveria isso e que voltaria a investir em carvão, o combustível fóssil mais poluente que existe.

“Estamos ansiosos para falar com a equipe de transição. Não sabemos quem eles são, qual é o histórico deles, certamente vamos trabalhar para passar para eles a importância que vemos na questão para eles”, afirmou.

Pershing também lembrou que a questão climática está ligada ao desenvolvimento. “Vamos ver mais inundações como a de Lousiana há alguns meses, vemos aumento da probabilidade de uma supertempestade como Sandy, que abateu sobre Nova York, ficar mais significativa e frequente; secas como a que atingiu a Califórnia também parecem ficar cada vez mais frequentes. É uma questão sobre os danos em todo nosso sistema. E em como coletivamente podemos tomar os próximos passos. Isso vai ser imperativo a todos nós.”