Interrupção de energia pode ser causada por queimadas

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Foto: Divulgação
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O clima seco e início da colheita da cana-de-açúcar, com queimadas nas lavouras, têm intensificado os focos de incêndio em diversas cidades do interior de São Paulo, principalmente na região de Bauru, e resultado em danos na rede elétrica, com interrupções no fornecimento de energia a centenas de famílias. Recentemente, uma dessas queimadas atingiu linha de transmissão entre as cidade de Lins e Presidente Alves e deixou moradores de sete cidades sem energia elétrica.

De acordo com dados do Centro de Operações da CPFL Paulista, concessionária responsável pela distribuição de energia na região, no mês de julho, foram registradas 74 ocorrências de queimadas na rede elétrica que abastece municípios da região de Bauru e de São José do Rio Preto. “Estas ocorrências afetaram o fornecimento de energia de 8.936 unidades consumidoras”, revela.

A concessionária conta que o fogo nas proximidades das estruturas de transmissão e distribuição de energia tem potencial para comprometer o abastecimento. “Mesmo quando não atinge diretamente cabos elétricos, ele causa curtos-circuitos, interrompendo o abastecimento às vezes de cidades inteiras”, declara.

“O calor também pode criar um campo ionizado, propiciando o fechamento de arcos voltaicos que desligam as linhas elétricas”.

Além do fogo, segundo a CPFL, a fuligem e a palha da cana-de-açúcar também podem aumentar as chances de um curto-circuito na rede na medida em que aquecem o ar, tornando-o mais condutor. “Outra preocupação refere-se ao excesso de fumaça no meio ambiente, que pode causar aquecimento dos cabos, diminuindo a resistência e facilitando rompimento”, esclarece.

“Até mesmo as chamas mais baixas oferecem riscos ao funcionamento do sistema elétrico, pois podem queimar a base das torres de transmissão que, em alguns casos, são de madeira, e causar sua queda”.

Dois tipos

De acordo com a concessionária, as queimadas podem provocar dois tipos de desligamentos: os que vão de pequenos a grandes tempos de interrupção e os chamados piscas. “Para o consumidor doméstico, os piscas são quase imperceptíveis, mas para as grandes indústrias, os desligamentos de curta duração, mesmo que de segundos, prejudicam a linha de produção”, informa.

Além dos prejuízos na rede de distribuição, a CPFL ressalta que os incêndios em áreas de produção agrícola diminuem a visibilidade nas estradas, reduzem a produtividade da terra nas áreas de cultivo e afetam a qualidade do ar.

Como prevenir

Para evitar danos ao sistema de energia, a CPFL Paulista orienta a população a respeitar corredores de 30 ou 40 metros de largura localizados sob as linhas de transmissão, onde não é permitido o plantio. “Também são proibidas edificações, instalação de placas e painéis, bem como a construção de currais, depósitos, açudes e piscinas, pois, além do risco, dificultam as manutenções, principalmente as de caráter emergencial. Além disso, o Decreto Estadual nº 45.869/2001 estabelece a queima controlada.