Leilão de Energia A-5 contrata 278 MW, menor nível desde 2009

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O leilão de energia A-5 realizado nesta sexta-feira (29) fechou a contratação de usinas que somam 278,5 megawatts em potência, ou 158,1 megawatts médios em garantia física, o menor nível desde 2009, quando a economia estava impactada por uma das piores crises financeiras globais.

Com a recessão econômica e a crise política, a baixa contratação ficou na metade inferior das previsões de analistas, que esperavam demanda nula ou de no máximo 800 megawatts médios na licitação.

A expectativa quanto ao certame era baixa devido à redução de consumo de eletricidade no Brasil, registrada desde o ano passado devido a uma forte elevação das tarifas e à recessão econômica.

A título de comparação, os leilões de energia para novas usinas fecharam uma compra de em média 3,6 mil megawatts médios por ano entre 2005 e 2015, o que evidencia o baixo interesse das distribuidoras por contratações adicionais de energia no certame desta sexta-feira.

As usinas contratadas, que precisam iniciar a entrega de energia em 2021, assinarão contratos que movimentarão R$ 9,77 bilhões ao longo do período de suprimento, equivalentes a um montante de 49.206.048 MWh de energia, informou a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

O leilão foi marcado por baixa demanda, com apenas sete compradores. Os empreendimentos vencedores –pequenas centrais hidrelétricas, usinas à biomassa e biogás e uma térmica a gás natural– demandarão cerca de R$ 1,9 bilhão para serem construídos. Os contratos são de 30 anos para as usinas hidrelétricas na modalidade por quantidade, 25 anos para as usinas a biomassa e 20 anos para a usina a gás.

O preço médio de contratação foi de R$ 198,59 por megawatt-hora, com deságio de 8,65% em relação aos preços-tetos estabelecidos, o que representou economia de R$ 925,6 milhões para os consumidores de energia, segundo a CCEE.

As principais compradoras no certame foram as distribuidoras Amazonas Energia, da Eletrobras, Celesc e Copel, que juntas responderam por mais de 70% da demanda. As demais compradoras foram Boa Vista Energia, Ceal e Cepisa, todas controladas pela Eletrobras, além da ELFSM.

Foram contratadas 21 pequenas hidrelétricas, seis usinas à biomassa, entre projetos movidos a bagaço de cana e cavaco de madeira, uma usina a biogás e uma térmica a gás natural, segundo dados da CCEE.

Desses empreendimentos, 16 já possuem contratos ou estão em operação comercial, segundo a CCEE. Essas usinas foram autorizadas a participar do leilão por uma mudança de regra viabilizada no final de 2015.

O preço médio final do leilão para a nova usina hidrelétrica (UHE Santa Branca) foi de R$ 150,00/MWh e para as PCHs foi de R$ 186,41/MWh. No caso das usinas térmicas movidas a biomassa, o preço médio foi de R$ 235,95/MWh, enquanto a usina a gás fechou o preço médio em R$ 258,00/MWh.

Os estados com os empreendimentos contratados foram o Paraná (7 usinas), Mato Grosso (6 usinas), São Paulo (4 usinas), Goiás (3 usinas), Minas Gerais e Santa Catarina (2 usinas), e Maranhão, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Rondônia (1 usina).

Os leilões de compra de energia elétrica proveniente de novos empreendimentos de geração – conhecidos como “leilões de energia nova” – têm por objetivo o atendimento às necessidades de mercado das distribuidoras, mediante a venda de energia elétrica a ser gerada por novos empreendimentos, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Histórico
Desde 2004, quando recebeu da Aneel a atribuição de operacionalizar os leilões de contratação de energia no ambiente regulado, a CCEE já realizou 71 certames. Os contratos firmados representaram uma movimentação financeira de cerca de R$ 1,5 trilhão. Os leilões negociaram cerca de 24.701 MW médios em energia nova; 27.375 MW médios em leilões de energia existente; 5.077 MW médios em leilões de ajuste; 4.139 MW médios em leilões de energia de reserva; 997 MW médios em leilões de fontes alternativas; e 6.135 MW médios em leilões de projetos estruturantes.