quinta-feira, junho 20, 2019
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Leilões de linhas de transmissão de 2016 não atendem prazo necessário

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Foto: Divulgação

Nenhuma das linhas de transmissão de energia elétrica que serão licitadas neste ano deve entrar em operação no prazo considerado adequado para a segurança do abastecimento.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) deve leiloar, neste ano, quase 13 mil quilômetros de linhas, além de 35 subestações, ao custo de R$ 24 bilhões.

São obras necessárias para escoar energia de novas usinas, atender à futura expansão do consumo e aumentar os volumes de eletricidade que podem ser transacionados entre regiões do país.

Dificuldades para viabilizar os leilões, no entanto, levaram a agência a estabelecer prazos maiores, para atrair interessados. Em nenhum dos casos, o prazo estipulado pelo edital atende à necessidade estabelecida pelo ONS (Operador Nacional do Sistema, responsável por definir a necessidade de transmissão) e pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética, que planeja as rotas para as linhas).

Conforme a Folha apurou, nos leilões previstos para este ano, há descasamento de prazo de até cinco anos.

Linhas e subestações menores que o ONS considerava necessários a partir deste mês ficarão prontas apenas em 2021, segundo o edital.

Em São Paulo, uma linha subterrânea de 30 km, no interior do Estado, deveria entrar em operação em março, mas será concluída em 2020.

Isso sem considerar eventuais atrasos e imprevistos nas obras. Segundo o mais recente relatório da Aneel, publicado em dezembro, mais de 60% das linhas em construção estão atrasadas —afetando o escoamento de grandes usinas na Amazônia, como Belo Monte, e o fornecimento durante a Olimpíada do Rio.

LICITAÇÃO

Para evitar um descasamento maior, a Aneel prevê vários leilões ao longo do ano, com um número maior de lotes e obras menores, de menor custo.

Originalmente, estavam previstos 26 lotes em um único certame, em março, mas empresas tradicionais do setor de transmissão, como as estatais estaduais Copel e Cemig, previam não disputar as licitações devido aos altos valores dos investimentos.

Apesar de a fragmentação dos lotes poder atrasar em até nove meses algumas das obras, ela foi tomada para que o maior número de linhas e subestações receba ofertas, evitando novas licitações para as mesmas obras.

“Com isso, haverá mais tempo para que empresas interessadas possam obter informações mais aprofundadas sobre os projetos e possam também buscar as condições operacionais e financeiras para participar dos certames”, diz, em nota, o Ministério de Minas e Energia.