Ministro do Meio Ambiente debate economia de baixo carbono

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O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, defendeu um padrão de desenvolvimento que respeite as futuras gerações e os direitos difusos da sociedade. Segundo o ministro, uma economia de baixo carbono é, também, uma janela de oportunidades para o crescimento. “Investir na biodiversidade pode ser um grande salto e um diferencial do Brasil frente aos desafios colocados pelas mudanças climáticas”.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (24/08), durante Café da Manhã promovido pela Frente Parlamentar Ambientalista, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Na ocasião, integrantes do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) apresentaram contribuições da classe para o cumprimento das metas do Acordo de Paris, baseadas em dois estudos: Financiamento à Energia Renovável: Entraves, Desafio e Oportunidades e Consumo Eficiente de Energia Elétrica: Uma agenda para o Brasil.

De acordo com a presidente do CEBDS, Marina Grossi, a entidade não preparou apenas  documentos, mas propostas de alternativas e soluções para os problemas encontrados. “Sem a contribuição do empresariado dificilmente o Brasil vai atingir as metas colocadas no Acordo. E estamos aqui dispostos a contribuir e a dialogar com o Ministério, parlamentares e a sociedade”, afirmou.

Os estudos apontaram para um subemprego do potencial energético do Brasil e para abundância de recursos que permitiriam a diversificação da matriz energética nacional e destacaram as dificuldades que o setor empresarial enfrenta para a alocação de recursos que permitiriam a criação de uma nova infraestrutura, baseada em fontes renováveis.

Sarney Filho reforçou que sua pasta deve ser vista como parceira e não como antagonista no enfrentamento ao aquecimento global. O objetivo do Brasil é cortar as emissões de carbono em 37% até 2025, com o indicativo de redução de 43% até 2030 – ambos em comparação aos níveis de 2005.

Energia renovável
O CEO da Siemens Brasil, Paulo Starks, disse que é um contrassenso que o país não realize um grande número de obras para a geração de fontes de energia renovável. “Por que aqui os projetos ecoeficientes não despertam a mesma atração que têm em outros países?”, questionou.

Ele defendeu a criação de mecanismos que ofereçam garantias ao capital estrangeiro para investimentos a longo prazo, a criação de fundos temáticos e mudanças regulatórias para dar agilidade e retirar entraves burocráticos que, segundo ele, inviabilizam negócios sustentáveis no país. “São pequenas coisas, mas coisas de impacto extremamente forte para o destravamento de investimentos em projetos verdes”.

Para o CEO da General Electric Brasil, Gilberto Peralta, o Brasil não precisa de projetos mirabolantes para usar melhor o seu potencial energético. “O país não precisa desenvolver nenhuma tecnologia. Basta usar as que já existem”, disse. Ele acredita  que o uso de equipamentos adequados e uma revisão nos padrões de iluminação seriam soluções simples capazes de economizar 5% do consumo atual do país.

A  superintendente executiva e de sustentabilidade do Santander, Linda Murasawa, afirmou que o setor produtivo nunca esteve tão engajado às questões ambientais como no Acordo de Paris. Mas no caso do Brasil, ressaltou, os estudos do CEBDS apontam muitas fragilidades e riscos. Linda defendeu a necessidade de mitigação dos entraves para viabilizar projetos, bem como a participação do poder público e da sociedade civil para enfrentar os desafios colocados ao setor produtivo.

O presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Ricardo Tripoli, destacou a participação da instância na rápida aprovação na Câmara dos Deputados do texto do Acordo de Paris, também já aprovado no Senado.

O secretário de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA, Edson Duarte, também citou a rapidez com que o Brasil aprovou o texto e chamou a atenção para o papel da Frente Parlamentar no processo. “A presença do CEBDS aqui é simbólica, estratégica e importante para uma política de baixo carbono e de novos padrões de produção e consumo. O mundo espera isso de nós. O Brasil ratificou o acordo e tem pela frente o grande desafio de sua implementação e o MMA está muito empenhado nisso”.