Montadoras e companhias de energia criam postos de carros elétricos

461

Apontados como veículos do futuro, por serem ambientalmente sustentáveis, os carros elétricos ganham impulso em vários países, mas ainda enfrentam limitações para se tornarem uma realidade no Brasil. Uma das barreiras é o alto preço – há poucos modelos disponíveis no mercado, todos importados. O outro é a infraestrutura para abastecer esses veículos.

Por falta de legislação, não há exploração comercial do abastecimento de veículos elétricos no país. A recarga de energia fica praticamente restrita à garagem do consumidor, que não tem como abastecer o carro no caminho no caso de uma viagem longa.

Como esses veículos em geral têm autonomia na faixa de 130 km a 180 km, o uso fica limitado ao perímetro urbano. Especialistas afirmam que o ideal é que haja um eletroposto (posto de recarga de veículos elétricos) a cada 100 km.

Enquanto não há regulamentação dos eletropostos, montadoras e companhias de energia firmam parcerias para disponibilizar pontos de recarga gratuita, paralelamente a projetos que visam desenvolver esse tipo de veículo no Brasil.

Ricardo Guggisberg, presidente executivo da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), calcula que há no Brasil de 90 a 100 eletropostos, instalado por empresas.

“Estamos tratando junto à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para legalizar a cobrança da recarga, que é um ponto importante para o desenvolvimento e proliferação desses postos”, afirma Guggisberg. A ABVE é uma entidade voltada ao desenvolvimento e utilização de veículos elétricos.

A Aneel abriu consulta pública para avaliar uma possível regulamentação do fornecimento de energia aos veículos elétricos. O prazo para envio de contribuições é 27 de julho deste ano.

Iniciativas
A CPFL Energia disponibilizou cinco eletropostos públicos na região de Campinas (SP), onde atua. Os postos fazem parte do projeto Emotive, que prevê investimentos de R$ 25 milhões e inclui a aquisição de veículos elétricos e a contratação de universidades e institutos de pesquisa para realizar estudos na área.

Entre esses estudos, está a proposta de um modelo de tarifação e regulação do mercado de abastecimento de veículos elétricos.

Segundo cálculos da companhia, o preço por km rodado da energia elétrica em uma recarga doméstica fica em R$ 0,12, menos da metade do gasto de um veículo a combustão (movido a etanol ou gasolina).

O projeto trabalha com a estimativa de 5,5 milhões de veículos elétricos, ou 5,8% de todos os veículos no Brasil até 2030. Essa frota consumiria 860 megawatts médios, equivalentes a 1,4% do consumo energético brasileiro em 2030.

A montadora alemã BMW possui atualmente 19 pontos de recarga gratuita de veículos elétricos em seis cidades brasileiras (Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Joinville, Rio de Janeiro e São Paulo). A maioria desses postos está instalada em estacionamentos de shopping centers e em lojas da rede de supermercados Pão de Açúcar.

“A meta é expandir a rede de recarga para 60 a 70 postos no país até o fim do ano”, explica Henrique Canto, gerente de projetos de marketing da BMW do Brasil. A montadora vende dois modelos no país, o BMW i3, 100% elétrico, que custa a partir de R$ 169,950 mil, e o BMW i8, um superesportivo híbrido (R$ 799,950 mil).

Nicho de mercado
Em Curitiba, há dez eletropostos instalados em parceria entre a geradora Itaipu Binacional, a prefeitura e a Copel (Companhia Paranaense de Energia).

Itaipu possui o Programa Veículo Elétrico, que atua no desenvolvimento e pesquisa de veículos movidos a energia elétrica e trabalha com várias empresas parceiras.

Celso Novais, coordenador brasileiro do programa, avalia que os eletropostos têm potencial para virar um nicho de mercado, agregando outros serviços, como acesso à internet e pagamento de contas.

“Portugal, por exemplo, tem 10 mil postos de abastecimento de veículo elétrico com cartão, para que o motorista pague a recarga na conta de luz de sua casa”, afirma.

Ele estima que o custo para montar um eletroposto varie de R$ 20 mil a R$ 40 mil, mas que seria necessário um grande volume de veículos para que o negócio seja rentável.

Esses postos seriam de carga rápida, em torno de 20 minutos, o que seria suficiente para mais algumas horas de viagem. Já a carga doméstica é lenta, podendo chegar a oito horas.

Segundo Novais, à medida que o carro elétrico se popularizar, a regulação da comercialização da recarga surgirá naturalmente.

“É um grande negócio para o futuro, mas precisamos de investimento e apoio governamental, como acontece na China, por exemplo.”