Mudança de parâmetros aumentará PLD em R$ 70/MWh em 2017, estima CCEE

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A incorporação da nova função do custo de déficit e dos novos parâmetros da CVaR levarão a um aumento médio de R$ 70,00/MWh no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) a partir de maio de 2017, segundo cálculos realizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Ao considerar também a nova carga da ANDE e a nova representação das usinas do rio São Francisco, a CCEE projeta um PLD médio de R$ 240,00/MWh para os submercados Sul, Norte e Sudeste/Centro-Oeste e de R$ 265,00/MWh para o subsistema Nordeste ao longo de 2017.

Os novos parâmetros para formação do PLD foram apresentados no dia 20 de outubro pela Comissão Permanente Para Análise de Metodologias e Programas Computacionais do Setor Elétrico (CPAMP) e estão em discussão em audiência pública. Na prática, esclarecem os especialistas, as mudanças interferem na programação do despacho térmico, antecipando o acionamento de usinas para garantir maior segurança ao sistema.

“A expectativa é que com isso a formação do preço esteja mais alinhada com a aversão ao risco de operação do sistema, e com isso as térmicas passem a ser despachadas majoritariamente por ordem de mérito e que seja mínima o despacho fora da ordem de mérito”, comentou Rodrigo Sacchi, gerente de Preços da CCEE, durante apresentação do InfoPLD Mensal realizado nesta segunda-feira, 31 de outubro. Para novembro e dezembro, a expectativa é que o PLD médio fique entre R$ 200/MWh e R$ 250/MWh em todos os submercados.

Sacchi explicou que ainda há uma incerteza quanto ao comportamento da carga em 2017. Em janeiro será realizada a revisão da carga projeta para o ano. Dependendo da variação (se para mais ou para menos), pode haver um aumento ou redução no valor do PLD dá ordem de R$ 65,00/MWh. Em outubro, a carga realizada ficou 3,6% abaixo do projetado pelo Programa Mensal da Operação no início do mês.

Tendência hidrológica- Sacchi explicou que a tendência hidrológica aponta para um atraso no período úmido da região Sudeste, o que deve também provocar um atraso no término. Tradicionalmente, o período úmido inicia em dezembro e termina em abril. A expectativa é que as afluências fiquem abaixo da média nesse submercado no próximo período úmido.

No Sul, não há previsão de La Niña. Com isso, a tendência é que a MLT no Sul se comporte dentro da média. No Nordeste, espera-se afluências “bem abaixo da média história nos próximos meses”, assim como no Norte. Em outubro, a Energia Natural Afluente no Sistema Interligado Nacional ficou em 82% da MLT no SE/CO; 95% no Sul; 38% no Nordeste; e 53% no Norte. A energia armazenada atingiu, respectivamente, 34,9%; 84,2%; 11,3%; e 30,5% no final do mês. A previsão para o Encargo de Serviço do Sistema para 2016 é de R$ 3,6 bilhões.