Natureza farta para as rentáveis energias renováveis

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O setor de energia renovável é uma das grandes janelas de oportunidade para o Ceará nos próximos anos. O Estado que tem 48 parques eólicos funcionando com uma capacidade instalada de 1400 megawatts, tem outros 58 em construção. O que deve duplicar a capacidade de produção nos próximos três anos. Com estes investimentos ainda não será possível voltar a primeiro lugar do ranking – posto que ocupou durante muitos anos e que hoje pertence ao Rio Grande do Norte, seguido da Bahia – mas, terá um grande avanço, afirma o presidente do Sindienergia, Elias do Carmo.

“O setor de energia em energias renováveis no Brasil está bem. Foi um segmento que não parou, teve que desacelerar um pouco, mas continuou em um ritmo aceitável. Mas temos percebido uma melhora na oferta de investidores. Eles estão, aos poucos, acreditando mais na economia”, afirmou.

Ele diz que no segundo semestre está prevista a realização de novos leilões pelo Governo Federal e o Ceará mais uma vez será contemplado em energia eólica e solar. Ainda este ano também deve entrar em operação em Aquiraz o maior parque de produção de energia solar da região Nordeste, com capacidade de geração entre três e cinco megawatts. Além disso, um dos focos do Ministério de Minas e Energia tem sido ampliar e aprofundar as ações de estímulo à geração distribuída, que é aquela produzida pelos próprios consumidores, com base nas fontes renováveis de energia (em especial a solar fotovoltaica). Linhas de financiamento específicas para este tipo de investimento já foram lançadas, no que o Ceará também pode ser beneficiado.

O impulso da cadeia produtiva de energia é também a esperança do setor metalmecânico no Estado. “Somos campeões de matéria prima, temos os melhores ventos, sol o ano todo, eu acho que o Governo deveria olhar para o tema com muito respeito, porque é um dos setores que poderia de imediato dar uma resposta melhor para economia, beneficiando vários outros, como o nosso que acaba se envolvendo também porque somos fornecedores dos produtos que atendem este segmento”, afirmou o diretor do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará (SIMEC), Ricard Pereira.

Ele diz que o setor sofreu um baque muito forte na crise com a queda da demanda na construção civil. A expectativa dele é de que a macroeconomia – e por consequência o mercado – volte a se recuperar a partir do segundo semestre de 2017. “A situação hoje ainda é muito conturbada, então esperamos que em 2017 a questão política se resolva”.

Ricard lembra que o início das operações da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), empreendimento que movimentou fortemente o setor no período de construção, deve agora ajudar a alavancar também o PIB industrial do Ceará, em especial os setores de serviços dos municípios do entorno.