Neutralidade de carbono: CEBRI apresenta rotas para o Brasil

Estudo do CEBRI aponta diretrizes e cenários estratégicos para que o Brasil alcance a neutralidade de carbono até 2050, unindo infraestrutura, inovação e políticas públicas para fortalecer a competitividade verde.

O Brasil possui todos os ingredientes para liderar a transição energética global. Essa foi a principal mensagem que ecoou durante a conferência “Brasil em Trajetórias Sustentáveis: Caminhos de Competitividade para a Descarbonização”, promovida pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) no dia 3 de outubro de 2025, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O evento marcou o lançamento do Relatório Executivo da segunda fase do Programa de Transição Energética (PTE), que traça rotas possíveis para o país atingir a neutralidade de carbono até 2050.

Reunindo representantes do governo, do setor privado, da academia e da sociedade civil, o encontro discutiu os desafios e as oportunidades do Brasil na corrida global pela descarbonização. O PTE é resultado de uma colaboração entre CEBRI, BID, BNDES, Cenergia (COPPE/UFRJ), EPE, FIPE (USP) e MRTS (USP), e combina análises técnicas e econômicas com uma visão estratégica de longo prazo.

O estudo se debruça sobre os setores mais intensivos em carbono: energia, cidades, transporte, indústria e uso da terra; e apresenta recomendações que podem servir de base para políticas públicas e investimentos privados. Ao tratar de infraestrutura, tecnologia e inovação, o relatório propõe caminhos que conciliam crescimento econômico, inclusão social e responsabilidade ambiental.

Durante a abertura institucional, Luciana Costa, diretora do BNDES, destacou que parte das recomendações do PTE já começa a se concretizar: “Quando o relatório afirma que o Brasil pode se tornar um líder climático, é porque temos uma base sólida, mas ainda muito a construir. Investir em transição energética é também investir em infraestrutura”, afirmou. Segundo ela, dos R$ 260 bilhões aplicados em infraestrutura em 2023, cerca de R$ 80 bilhões foram financiados pelo BNDES.

Já a embaixadora Tatiana Rosito, do Ministério da Fazenda, reforçou o papel estratégico do país na agenda global de sustentabilidade, lembrando que, sob a presidência brasileira do G20, a transição climática foi colocada no centro da trilha de finanças. “O setor de agricultura, florestas e uso da terra é essencial para o sucesso da transição energética. Trabalhos como o do PTE oferecem conteúdo técnico e legitimidade para avançarmos nessa agenda”, ressaltou.

O relatório apresenta três cenários prospectivos de descarbonização. O primeiro, Transição Brasil (TB), busca o cumprimento integral da NDC brasileira com base nas vantagens competitivas nacionais — como fontes renováveis, bioenergia e reflorestamento. O segundo, Transição Alternativa (TA), adiciona variáveis como precificação de carbono, impactos climáticos sobre a matriz elétrica e mandatos mais robustos para biocombustíveis e eletrificação. O terceiro, Transição Global (TG), é o mais ambicioso: considera um orçamento de carbono compatível com o limite de 1,5°C, exigindo cortes mais profundos e rápidos nas emissões.

Ao combinar dados, análises e projeções, o PTE reforça a importância de políticas consistentes e da coordenação entre governo, empresas e sociedade para construir uma economia verde e competitiva. O documento destaca que a transição energética não é apenas uma questão ambiental, mas também uma estratégia de desenvolvimento e soberania.

Como conclui o relatório, o Brasil está diante de uma janela de oportunidade única para transformar suas vantagens naturais em liderança global. O desafio, agora, é transformar as trajetórias sustentáveis em ações concretas, capazes de impulsionar uma nova era de prosperidade de baixo carbono.

FONTE: CEBRI – Centro Brasileiro de Relações Internacionais


Os três cenários do Programa de Transição Energética (PTE)

Transição Brasil (TB):
Cenário-base, com trajetória de custo ótimo para cumprir integralmente a NDC brasileira. Explora as vantagens competitivas do país, como energias renováveis, bioenergia e reflorestamento.

Transição Alternativa (TA):
Considera fatores adicionais como precificação de carbono, impactos climáticos sobre a oferta e demanda elétrica, e políticas mais ambiciosas para biocombustíveis e eletrificação.

Transição Global (TG):
O mais desafiador dos cenários, alinha-se à meta global de limitar o aquecimento a 1,5°C, exigindo reduções mais rápidas e profundas nas emissões em escala global.

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