Nissan escolhe Brasil como plataforma para célula de combustível alimentada por etanol

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A ampla infraestrutura de produção e abastecimento de etanol existente no Brasil servirá como base para a montadora japonesa Nissan aprimorar uma tecnologia a base de etanol de cana que promete aumentar para 600 quilômetros a autonomia de carros elétricos – igual ao de um modelo a gasolina – sem a necessidade de longos períodos de recarga das baterias. Trata-se do sistema de Célula de Combustível de Óxido Sólido (SOFC, em inglês), que utiliza a reação do oxigênio com o biocombustível (anidro ou com 55% de água) para gerar eletricidade nos veículos.

O consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, esclarece que o desenvolvimento do SOFC poderá resolver alguns problemas-chaves que limitam a expansão comercial dos automóveis elétricos, como altos custos de produção e falta de uma rede de postos de recarga para baterias ainda sem rendimento e durabilidade desejáveis ou competitivas com motores à combustão.

“Neste sentido, a inovação da Nissan é transformadora, pois combina eficiência energética com emissão zero de CO2, considerando que todo o ciclo de vida do etanol (dos canaviais ao tanque do carro), diferentemente da energia gerada por fontes fósseis, neutraliza os gases de efeito estufa na atmosfera”, ressalta o especialista da UNICA.

O gerente de Engenharia da Nissan do Brasil, Ricardo Abe, revela outra vantagem da nova célula de combustível concebida pela montadora: “Aproveitamos uma fonte abundante como o etanol. Deste modo, o SOFC apresenta-se como uma alternativa que, depois de ter a sua aplicação comprovada comercialmente, pode ser facilmente difundida por utilizar  um combustível vegetal produzido em larga escala no Brasil, Estados Unidos e Ásia, dispensando, portanto, a necessidade de rede de abastecimento de hidrogênio ou carregadores para veículos elétricos.”

Protótipo

Aproveitando a visibilidade dos jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a Nissan, patrocinadora oficial do evento, apresentou no início de agosto (04/08) um protótipo equipado com o SOFC, usando como base o furgão elétrico e-NV200, comercializado desde 2014 pela multinacional nipônica. Os primeiros testes mostraram que 30 litros de etanol deram uma autonomia de 600 quilômetros para o modelo, que apresentou um consumo médio de 20km/l na estrada.

Embora os resultados comprovem a viabilidade deste novo sistema, a Nissan informa que a fase experimental deverá durar mais algum tempo. A expectativa é de que o SOFC chegue ao mercado em 2020.

O SOFC

Segundo a fabricante, outra característica inovadora que difere o sistema de Célula de Combustível recém-divulgado dos já desenvolvidos pelos concorrentes é a não utilização de metais preciosos (platina, por exemplo) em sua composição. Além de baratear, torna a sua produção menos agressiva ao meio ambiente.

Armazenado no tanque de combustível, o etanol passa por um reformador catalítico, onde é aquecido, e por meio da quebra de suas moléculas transforma-se em três elementos: hidrogênio, oxigênio e carbono. Os dois primeiros seguem para o SOFC e são convertidos em água, cuja movimentação das partículas dão origem à eletricidade armazenada em uma bateria de 24KWh, responsável por suprir energia para o motor. Já o carbono é eliminado pelo escapamento, na mesma quantidade em que foi absorvido pela cana-de-açúcar durante o seu processo de fotossíntese.