Novo patamar de preços para eólica reflete realidade, diz FEB

68

O valor de R$ 223/MWh para os contratos de geração eólica no A-5, agendado para o dia 29 de abril, é considerado justo para o segmento. Segundo a diretora da Força Eólica do Brasil, Laura Porto, o preço inicial estabelecido reflete a realidade dos empreendimentos em função de aumento de custos como o de hedge cambial e do financiamento que já não são mais os mesmos de anos atrás, bem como as dificuldades em acessar a transmissão.

A executiva, que representa a joint venture entre a espanhola Iberdrola e a brasileira Neoenergia, conta que essa correção de patamar foi conseguida em função de encontros que o setor teve com a Empresa de Pesquisa Energética. A meta nessas reuniões era a de esclarecer a composição de custos do investimento. E acrescenta que os próprios agentes tiveram que repassar informações mais reais do capex para os empreendimentos, já que na hora do cadastramento para os certames se verificou que os valores de investimentos previstos eram mais baixos do que realmente se teria que aportar.

“O preço do leilão em 2015 começou baixo e recuperaram no último certame para a casa dos R$ 200. O governo não havia considerado o hedge cambial e a EPE afirmou não saber que estava em um valor tão caro. Tolmasquim [presidente da EPE] colocou ainda que os empresários apresentavam, na habilitação, valores mais baixos de capex”, revelou Laura Porto.

A executiva destacou que a importância em se indicar esses valores mais próximos da realidade é fundamental porque esse é o insumo da EPE para se chegar à tarifa máxima de um leilão, com base na declaração de investimentos dos empreendedores. E, como a EPE é uma empresa pública, o TCU vai questionar os valores apresentados.

Agora, ressaltou, além dos empreendedores atuarem de forma mais realista, o governo precisou também considerar que as condições de financiamento são diferentes, menos atrativas do que em 2010 e o hedge cambial, que é uma parte muito importante do capex, está em patamar elevado. Outro fator apontado pela executiva da empresa é que as linhas são mais longas e os projetos estão mais distantes das conexões. “Agora revisaram o preço para algo mais justo e que reflete a realidade”, confirmou.

Em relação ao leilão A-5, Laura Porto, se mostrou cética quanto à demanda justamente pela sobreoferta de energia que há no segmento de distribuição. E corroborou a afirmação da presidente executiva da ABEEólica, Élbia Gannoum, que disse recentemente que os leilões de reserva são a saída para a fonte este ano.