O mercado livre avança

Uma das notícias que agitaram o setor energético no primeiro semestre foi o anúncio da joint venture entre Raízen e WX Energy; mercado livre deve dobrar de tamanho nos próximos anos

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O mercado livre de energia cresceu 17% em 2017, segundo a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), que representa empresas que atuam na compra e venda de energia nesse mercado. Chegou a R$ 110 bilhões no ano passado o faturamento total das empresas que operam neste setor. Em 2017, os maiores crescimentos de consumidores foram nos segmentos de comércio (63,3%), serviços (39,1%), saneamento (32,4%) e alimentos (38,1%). Segundo a entidade, o consumidor vai para o mercado livre por conta de preço e pela qualidade no atendimento. No último ano, entraram no mercado livre 1.700 novos consumidores no país.

De olho no potencial desse mercado, a Raízen, uma das empresas de energia mais competitivas do mundo, anunciou a criação de uma Joint Venture com a comercializadora WX Energy. O objetivo é fortalecer a atuação da companhia no mercado livre de energia, em linha com a estratégia de ampliação de negócios para sua consolidação como player integrado de energia.

No novo negócio, a Raízen aportará sua sólida posição no mercado, com ampla carteira de clientes, força comercial e financeira. Já a WX Energy traz consigo um time altamente capacitado e uma mesa de trading em operação e expertise na análise fundamentalista de preços. Juntas, as duas companhias consolidam um modelo que permitirá a criação de soluções integradas e customizadas para os diferentes perfis de clientes no setor, acelerando a curva de crescimento e contribuindo para a competitividade de um mercado em ascensão.

A Joint Venture terá participação majoritária da Raízen, e a operação da empresa estará a cargo da equipe da WX. A Raízen, que já é líder na geração de bioeletricidade a partir da biomassa – com suas 26 unidades autossuficientes em energia, sendo que 13 produzem excedente exportado para o grid -, terá uma melhor opção para distribuição de sua energia excedente, em especial a geração de energia incentivada.

“É uma forma de nos aproximarmos ainda mais de nossos clientes, porque evoluímos de geradores para comercializadores, atuando de forma direta e competitiva no mercado de energia elétrica, agregando ao nosso portfólio e aumentando nossa oferta de soluções energéticas integradas”, explica João Alberto Abreu, vice-presidente Executivo de Etanol, Açúcar e Bioenergia.

Dobrar de tamanho

Segundo Marcelo Couto, diretor de Energias Renováveis da Raízen, quando se observa o mercado de Energia fora do Brasil, ou mesmo pelas mudanças que o setor energético passou nos últimos anos no país, “não tenho a menor dúvida de que o mercado livre de energia vai crescer bastante.  Vai mais do que dobrar de tamanho”. Esse processo já ocorre em outros países. “Até pelo que o governo brasileiro anunciou, vemos esse segmento como uma imensa oportunidade. Este mercado já é grande hoje, representa 28% de toda a matriz energética de consumo do país, e a gente não tem a menor dúvida de que esse negócio vai crescer muito.”

As perspectivas positivas para esse setor foram cruciais para que a Raízen decidisse apostar suas fichas nessa área. Mas, para isso, buscou um parceiro forte. Com o know-how que já tem no mercado de Energia do país, a Raízen firmou a joint venture com a WX pela credibilidade que a comercializadora de energia possui no setor.  “Com uma mesa de trading consolidada, a WX faz um trading fundamentado, com modelagens próprias e tem especialistas que sabem precificar o clima. São absolutamente técnicos”, explica Couto.

“Entendemos que essa associação realmente vai fortalecer ambas as partes. Queremos fazer parte desse mercado, que é relevante no país”, frisa Couto. A estratégia da joint venture Raízen/WX é manter, cada vez mais, um trading fundamentado, usando modelo meteorológico para entender os cenários de clima e como isso impacta o preço, o que é uma marca da WX.

De acordo com Luiz Henrique Macêdo e Daniel Sica, sócios da WX Energy, a empresa tem investido na formação de uma equipe de primeira linha, altamente especializada. “Construímos um forte background no trading de energia, aumentamos a liquidez da empresa e operamos mais de 4,4 TWh no ano de 2017”, contextualiza Sica. “Apostamos no crescimento do mercado livre. O momento demanda a ampliação da capacidade de fazer negócios. Vamos desenhar produtos aliando solidez financeira à expertise técnica”, complementa Macêdo.

A WX Energy foi fundada em 2014 por profissionais do setor elétrico com o objetivo de prover liquidez para geradores e consumidores no mercado livre de energia e estabelecer relações comerciais transparentes e duradouras com parceiros de negócios. A empresa atua no mercado livre com contratos de energia de curto, médio e longo prazo, contratos atrelados ao preço spot da energia, contratos de swap de fonte, contratos de opção, e operações estruturadas envolvendo diferentes fontes de energia.

No mercado livre de Energia, a joint venture visa crescer em sintonia com a evolução do próprio mercado. “Acreditamos em um trading fundamentado. E há outros dois elementos chave na nossa estratégia de negócios: o primeiro é aproximar nossos ativos de geração com esse ativo de comercialização. Queremos extrair valor disso. Outro elemento da estratégia é o fato de levarmos energia da melhor maneira e com o melhor pacote para os nossos clientes”, relata Couto.

Além disso, segundo ele, faz parte da estratégia da Raízen ampliar as ações voltadas à geração de energia. “Temos projetos sim de investir nesta área, e sempre atentos a participar dos leilões de energia, como o que acontecerá no segundo semestre de 2018”, frisa.

Biomassa

O mercado livre já representa 28% da energia elétrica comercializada no país. Segundo o relatório Energy Outlook, de julho de 2017, o setor deve receber US$ 26 bilhões em investimentos no Brasil até 2040. Junto com a geração eólica e solar, a biomassa deve ser um dos tipos de energia que mais vai se desenvolver nos próximos anos neste nicho de negócio.

Ao mesmo tempo em que dá um passo importante no setor de energia com a criação da joint venture, a Raízen mantém a aposta em seu setor de origem (sucroenergético): “acreditamos na complementariedade das fontes, em que a biomassa tem um valor estratégico para o sistema. É uma fonte previsível, constante, sem intermitência. Gera ao longo de toda a safra e tem uma geração próxima da carga”, analisa Couto. Atualmente, o volume de bioeletricidade gerado pela Raízen é suficiente para abastecer uma cidade com até 10 milhões de habitantes.

A Raízen é uma empresa integrada de energia que atua em todas as etapas do processo: desde o cultivo da cana, com a produção de açúcar, etanol e bioenergia, até a comercialização, logística e distribuição de combustíveis. Atua na produção de açúcar, etanol e bioenergia no país – com 900 mil hectares de áreas agrícolas cultivadas – e um dos principais players do setor de combustíveis, com mais de 6 mil postos da marca Shell. A empresa se destaca como uma das companhias de energia mais competitivas do mundo e uma das maiores em faturamento no país, com R$ 79,2 bilhões.

Com 26 unidades produtoras, a Raízen Energia produz cerca de 2,2 bilhões de litros de etanol por ano e 4,2 milhões de toneladas de açúcar, sendo que comercializa 4,5 milhões de toneladas de açúcar e 25 bilhões de litros combustíveis por ano, o que faz da empresa a maior comercializadora de etanol do Brasil. Também tem 940 MW de capacidade instalada de produção de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar e comercializa anualmente 2,6 TWh de energia.

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