Perspectivas sobre carvão, energia eólica e pesquisas são debatidas em Bagé

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A 4ª edição do Seminário Nacional de Energia para o Desenvolvimento reuniu investidores e representantes de órgãos reguladores para debater as perspectivas sobre a geração de energia a partir do carvão mineral, eólica e pesquisas cientificas. O evento, realizado pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e Comissão Especial do Carvão como Fonte de energia Elétrica da Câmara de Vereadores de Bagé, aconteceu no campus da instituição de ensino, em Bagé.

A primeira palestra foi ministrada pelo analista de Infraestrutura do Ministério de Minas e Energia (MME), Cristiano Augusto Trein, que falou sobre os leilões de energia e o carvão mineral. Em seguida, o superintendente de regulação dos serviços de geração da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Christiano Vieira da Silva, tratou sobre a resolução 500/2010, que incentiva a modernização do parque energético de carvão no País.

Silva salientou que o seminário é uma oportunidade para debater os desafios da sustentabilidade desde a extração do mineral até a produção de energia. “É o momento de encaminhar possíveis soluções para o carvão”, analisou. Também foram abordados os temas sobre as reservas e os cenários do mineral no Brasil, bem com o planejamento e a operação do sistema integrado nacional sob a ótica da diversificação da matriz e da segurança energética.

Empreendimentos para o setor

O consultor de desenvolvimento de projetos e negócios da Tractebel Energia, Hugo Roger Stamm, mostrou a situação e perspectiva da UTE Pampa Sul, construída em Seival, em Candiota. A usina está em fase de montagem da caldeira e sistemas auxiliares, mas devido às chuvas, os caminhões não conseguem chegar com o material até a obra. Atualmente, cerca de mil pessoas estão trabalhando na construção da termelétrica. “Precisamos de uma semana de tempo seco para a entrada do material”, relatou.

O projeto da UTE Ouro Negro, que pode ser construída em Pedras Altas, também foi apresentado. A empresa está com duas situações pendentes para participar do leilão A-5 no dia 29 de abril. Um deles é de ordem técnica. A companhia ainda não recebeu a Licença Prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama), que viabiliza a participação no certame. O outro é econômico, visto que a Ouro Negro ainda não concluiu os estudos sobre a viabilidade do empreendimento, devido ao valor estipulado pelo governo federal, de R$ 251 por megawatt/hora (MW/h). Conforme o presidente da empresa, Sílvio Marques Dias Neto, uma reunião foi agendada para terça-feira, 19, em Brasília, para tratar sobre a licença. Enquanto não for liberada não há como participar do leilão.

Também foram discutidos assuntos sobre resíduos, como matéria-prima para novos processos, as aplicações das cinzas da queima do carvão mineral, a gaseificação de carvão como oportunidade de desenvolvimento para o Estado, as políticas para o desenvolvimento energético da metade Sul, o papel das empresas e dos consórcios intermunicipais, os desafios e possibilidades para a energia eólica, além da responsabilidade sócio-ambiental da indústria de mineração.

Desenvolvimento regional

Conforme o presidente da Comissão Especial do Carvão como Fonte de energia Elétrica da Câmara de Vereadores de Bagé, vereador José Carlos Goularte Ferreira (Caio), o seminário elencou potencialidades e desafios do carvão. O encontro encerrou com a criação de um documento que elenca as prioridades do setor.

Para reitor da Unipampa, Elvio Rech, o evento está consolidado e os debates irão subsidiar as prioridades de pesquisa dos alunos da universidade. “Essa aproximação entre a instituição, a população e os investidores, potencializa as discussões e auxilia no desenvolvimento regional”, enfatizou.

Para o presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM), Fernando Luiz Zancan, é importante mostrar que os investimentos nas termelétricas são viáveis e quanto mais usinas forem construídas, menor seria o custo da

energia.