segunda-feira, Março 25, 2019
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Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro desenvolvem pesquisas sobre a energia das ondas

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Com grande preocupação pela finitude e grau de poluição dos combustíveis fósseis, os especialistas buscam por energias limpas e renováveis, com destaque para a eólica e a solar. Além destas, a energia das ondas do mar é uma alternativa que está atraindo investimento em pesquisa e desenvolvimento.

No Brasil, há um enorme potencial já que a concentração populacional está localizada, principalmente, na região costeira. “Se 15% da nossa orla for aproveitada para a geração de eletricidade, poderíamos dobrar a oferta no Brasil”, revela Paulo Roberto da Costa, responsável técnico da empresa SeaHorse Wave Energy.

Com a alternativa, não será necessário enviar energia elétrica das hidrelétricas para o litoral, por exemplo, afirma Milad Shadman, pesquisador e pós-doutorado da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (COPPE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Normalmente as energias estão afastadas do centro de consumo e perdem muita energia elétrica por causa de cabos de transmissão com distâncias de mais de mil quilômetros”, conta.

Os sistemas de energia das ondas ainda estão no estágio pré-comercial no mundo, por isso ainda não são comercializadas. “No futuro próximo, em cerca de cinco anos serão comercializados na Europa, considerando o estágio atual de desenvolvimento tecnológico. No Brasil pode demorar até oito ou dez anos”, completa Shadman.

Além de gerar energia elétrica, o sistema pode ser usado para dessalinizar a água do mar e gerar água potável. “A tecnologia [de energia das ondas] está em fase de P&D, mas pode ser utilizada para suprir a energia elétrica com pressão necessária para os sistemas de dessalinização da água”, revela Shadman.

Os pesquisadores da COPPE ainda trabalham no cenário de aproveitamento de conversões de energia da onda para abastecer energia elétrica para as plataformas do pré-sal. E também para equipamentos submarinos, em que há uma demanda menor de energia elétrica.

Entretanto, há dificuldades no avanço da pesquisa pela escassez de recursos para a instalação de novas usinas no mar. “Isso é crucial para se atingir o nível de maturação da tecnologia e, assim, se ter a inserção dessa importante fonte de energia limpa e renovável na nossa matriz energética”, defende Costa.

Projeto em andamento

No Brasil, a COPPE, em parceria com Furnas e com a empresa SeaHorse Wave Energy, estão desenvolvendo um novo projeto que prevê a geração de energia elétrica a partir da movimentação das ondas do mar na cidade do Rio de Janeiro, perto da Ilha Rasa.

Os pesquisadores estão desenvolvendo um conversor offshore instalado na distância de 10 a 15 quilômetros do mar, com profundidade entre 15 e 25 metros. “Tentamos reduzir a dimensão do sistema para diminuir o custo de fabricação e instalação. E, ao mesmo tempo, aumentar a energia produzida”, conta Milad Shadman.

No projeto, a geração de energia se dará a partir da movimentação vertical de um flutuador de 11 metros de altura e 4,5 metros de diâmetro, impulsionado pelas ondas do mar. Dessa forma, quanto mais alta a onda, mais energia pode ser captada para a transformação em energia elétrica.

A eletricidade gerada será transmitida por cabo submarino, que irá descer ao fundo do mar pelo interior da coluna e seguir pelo leito marinho até a ilha para conexão à rede elétrica.

Para Costa, o projeto é muito importante, porque está localizado no Rio de Janeiro, que é uma das vitrines do mundo. Assim, a instalação da usina pode ajudar a difundir a nova tecnologia. “Também ajudaria a avançar no seu desenvolvimento, sendo mais um passo para se atingir o estágio de comercialização”, completa.

Primeira na América Latina

Em 2012, os pesquisadores da COPPE colocaram o país na história da América Latina, com o primeiro protótipo em escala real de usina de ondas, instalado no Porto de Pecém, no litoral cearense. Com capacidade de 100 quilowatts (KW) e investimento estimado de

R$ 18 milhões, a usina onshore incluiu uma boia de 10 metros de diâmetro e um braço mecânico de 22 metros. “À medida que a onda passa nessa boia, se gera um movimento vertical que bombeia a água dentro de um circuito fechado”, explica Shadman.

Ainda de acordo com o pesquisador, no circuito fechado há uma câmara hiperbárica e um acumulador hidropneumático. “A água bombeada pelo conversor vai ser pressurizada por meio dessa câmara hiperbárica, será injetada e vai acionar uma turbina e, eventualmente, um gerador elétrico.”

Essa matéria foi publicada na 34ª edição da revista Full Energy. Clique e confira a publicação.