Petróleo recua com dólar forte e aversão ao risco, mesmo após relatório da AIE

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O petróleo opera em baixa na manhã desta terça-feira, em seu quarto dia consecutivo no vermelho. A commodity é pressionada pelo dólar forte e pelo sentimento nos mercados globais, que continua a ser de pouco apetite por risco, mesmo após um relatório positivo da Agência Internacional de Energia (AIE).

Às 8h02 (de Brasília), o petróleo WTI para julho caía 1,33%, a US$ 48,23 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para agosto recuava 1,31%, a US$ 49,69 o barril, na ICE, em Londres.

Mais cedo, a AIE revisou para cima sua previsão de aumento da demanda para este ano, de 1,2 milhão de barris por dia para 1,3 milhão de barris por dia. O avanço deve ser liderado pelos mercados emergentes, como Índia e China, com o crescimento na indústria nessas nações, diz o relatório. A AIE também divulgou sua primeira estimativa para o crescimento da demanda por petróleo em 2017, de 1,3 milhão de barris por dia.

Mas a entidade advertiu que, caso a oferta seja restaurada na Nigéria e no Canadá, pode haver um recuo nos preços. A produção nigeriana caiu 250 mil barris por dia, para 1,37 milhão de barris por dia em junho, nível não visto em quase 30 anos no país.

Os ganhos na demanda foram limitados, já que a AIE indicou que a oferta está em patamar forte pelo mundo. A produção no Kuwait e nos Emirados Árabes aumentou em maio 120 mil barris por dia e 70 mil barris por dia, respectivamente.

Apesar do relatório, o mercado se mostra mais cauteloso diante de sinais de retomada na produção dos Estados Unidos. No fim da segunda-feira, a Genscape afirmou que houve um aumento de 525 mil barris nos estoques de petróleo dos EUA na semana encerrada no dia 10. Na sexta-feira, a Baker Hughes disse que o número de poços e plataforma em atividade no país subiu pela segunda semana consecutiva.

“O temor é que, quando os preços atinjam US$ 60 o barril, nós vejamos novos investimentos em exploração de xisto”, disse Barnabas Gan, economista do OCBC.

Às 17h30 (de Brasília), o American Petroleum Institute (API) divulgará novas estimativas sobre o nível dos estoques nos EUA.

Os contratos do petróleo são também afetados pela maior aversão ao risco nos mercados financeiros. Há expectativa pela votação do plebiscito do dia 23 no Reino Unido para decidir se o país permanece na União Europeia ou deixa o bloco. Há também nesta semana várias decisões de bancos centrais importantes, nos EUA, no Reino Unido e no Japão.

“Os preços do petróleo não conseguem ignorar o sentimento negativo do mercado, especialmente já que a maioria dos investidores financeiros especulativos continua a apostar na alta dos preços do petróleo”, disse o banco Commerzbank.

Segundo alguns analistas, caso o Reino Unido vote para deixar a UE, a libra deve se desvalorizar e o dólar se fortalecer. Como o petróleo é negociado em dólar, com isso ele fica mais caro para os detentores de outras moedas. O dólar se valoriza nesta manhã frente a uma cesta de outras divisas.