terça-feira, junho 18, 2019
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Por falta de linhas de transmissão, 13 usinas eólicas estão paradas no NE

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Foto: Divulgação

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A energia gerada pelos ventos poderia ser uma solução nos períodos de estiagem. Hoje, a energia eólica representa 4% do que é consumido no país e esse número poderia ser bem maior. Só no Nordeste, 13 usinas estão paradas porque não há linhas de transmissão.

Apagar, desligar, tudo pra tentar diminuir o número da conta de luz. A do engenheiro Wellington Andrade subiu mais de 30% no ano passado. E por mais que economize, ele sabe que uma redução desse valor não depende só dele. “Seria muito interessante para a sociedade e para o consumidor se nós tivéssemos outras opções de energia, outras opções de fornecimento e, principalmente, vindo de energia limpa, que é uma tendência mundial e que é o caminho que deve ser seguido”, explica.

O adicional chamado bandeira vermelha, por exemplo, que incide nas contas de luz dos brasileiros, é um preço a pagar pelo uso das termoelétricas. Uma energia cara porque utiliza combustíveis fósseis, mas que acaba sendo a solução, em um momento em que as hidrelétricas sofrem com o baixo nível dos reservatórios.

Mas há um clima de renovação no ar: mais precisamente nos ventos. Um levantamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico calcula que a energia eólica já representa, em média, 4% do que é consumido no país e 25% no Nordeste. Com ventos fortes o ano inteiro, a região concentra a maioria dos 324 parques eólicos do país.

“Se a gente tivesse, digamos assim, o dobro da geração eólica que a gente tem hoje, provavelmente, quem sabe, a gente não teria necessidade do uso da bandeira vermelha e teria, realmente, uma tarifa menor”, diz o vice-presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis, Adão Linhares.

Mas a expansão das eólicas depende de sintonia entre a geração e a distribuição. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica,13 usinas estão paradas à espera das linhas de transmissão da Chesf. Por outro lado, o custo de geração dessa energia vem diminuindo. Ela é bem mais barata que as térmicas e só perde para as hidrelétricas.

Um exemplo dessa tendência de barateamento da energia eólica acontece na Região Metropolitana de Fortaleza. Uma empresa da Dinamarca está inaugurando a primeira fábrica de aerogeradores no Brasil e, até por uma questão de custo e transporte, muitas peças do produto são nacionais, fornecidas, inclusive, por empresas da região. “Com esse amadurecimento de toda a cadeia a gente consegue deixar o nosso produto cada vez mais competitivo e isso vai barateando a energia eólica e com certeza, vai beneficiando o consumidor final, que consegue ter uma energia gerada por um custo menor”, explica Adriano Barros, diretor de Assuntos Corporativos da Vestas.

Em nota, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco informou que tem se esforçado para superar as dificuldades e instalar as linhas de transmissão. A Chesf disse também que o maior problema é a liberação dos terrenos onde vão ser construídas as torres de energia, já que os proprietários têm que autorizar a instalação das torres no terreno.