Produção de etanol foi recorde em 2015

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A produção brasileira de etanol bateu recorde em 2015 ao atingir 30 bilhões de litros, um crescimento de 6% em relação a 2014. A constatação é da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que divulgou o estudo Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis no Brasil 2015.

O estudo aponta ainda que os principais fatores que levaram a essa safra recorde foram uma boa safra de cana de açúcar e as medidas governamentais que aumentaram a atratividade do etanol, como a elevação do percentual de anidro na gasolina C; o retorno da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) e a elevação do PIS/Cofins para a gasolina A.

Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar), Renato Cunha, os produtores de cana preferiram focar no etanol ao açúcar, uma vez que o mercado internacional apresentava oferta alta da commodity no início de 2015.

“A leitura que fazemos é que, entre janeiro e agosto de 2015, havia ainda superávits no mercado de açúcar, razão pela qual os produtores brasileiros destinaram 56% da cana em direção ao etanol e não ao açúcar. Na safra 2016/2017, deverá haver majoritariamente um déficit de açúcar mundial que pode incrementar as exportações no mercado de açúcar. Contudo, o Brasil ainda produzirá cerca de 30 bilhões de litros de etanol, pois o crescimento se dará mais em direção ao açúcar de exportação”, comentou.

Estímulo

Ao justificar os bons resultados, a EPE ressalta o fato de que, no aspecto de políticas públicas direcionadas ao setor, destacam-se dois pontos: a elevação do percentual de anidro na gasolina C, que passou de 25% para 27%; o aumento do preço de realização da gasolina A, o retorno da Cide e a elevação do PIS/Cofins para a gasolina que, juntos, contribuíram para o aumento do preço da gasolina C ao consumidor final.

Cunha, entretanto, apontou que pode haver mais estímulo à produção do etanol. “A falta de políticas regulatórias para os combustíveis acarreta muita imprevisibilidade para os produtores, impedindo um crescimento mais ordenado no mercado do etanol que concentra mais estímulos governamentais na distribuição de combustíveis com menor preocupação na prática com a continuidade das produções”, disse.