Recuperação do petróleo reduz pressão por novas medidas da Opep, diz economista

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A recuperação nos últimos meses nos preços do petróleo retirou pressão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para agir na reunião desta quinta-feira, de acordo com Hamza Khan, diretor de commodities do banco ING. “Com os preços do petróleo recuperando-se 15% desde a última reunião semestral da Opep, em dezembro, os líderes da Opep estarão de melhor humor nesta reunião”, avaliou.

Khan diz, porém, que o avanço recente dos preços ocorreu a um custo significativo para alguns membros da Opep, entre eles Nigéria, Líbia e Venezuela. Problemas na produção desses países têm colaborado para sustentar os preços do barril. O governo de Caracas, por exemplo, gostaria de um esforço da Opep para impulsionar os preços, mas o consenso entre a maioria dos integrantes é que não deve ocorrer nenhuma ação agora.

O analista-chefe de commodities da SEB Markets, Bjarne Schieldrop, avaliou que o mercado de petróleo pode ter mais volatilidade. Segundo ele, a produção historicamente bastante flexível da Opep tem sido trocada pela produção menos flexível de xisto dos EUA. Schieldrop diz que agora o mercado começa a entender que a Opep não mais defenderá os preços com cortes em sua oferta nem manterá capacidade ociosa para ajudar a conter os preços durante períodos com falta de menor oferta. O economista diz que é possível que a interferência da Opep no mercado tenha sido alvo de críticas no passado, mas podem acabar sentido falta dessa interferência, especialmente quando o preço chegar a patamares mais altos.