Setor está na expectativa pelos resultados do leilão de transmissão

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O leilão de transmissão que ocorre nesta quarta-feira, 13 de abril, será decisivo para a expansão do setor elétrico nos próximos anos, principalmente para a fonte eólica. A realização do certame antes do leilão de geração A-5 foi um sinal importante e por isso deverá direcionar os aportes na disputa que ocorrerá em 29 de abril. Inclusive, as novas condições de receita anual permitida e prazos traz uma expectativa até mesmo de atração de novos investidores no país.

Para a diretora da Força Eólica do Brasil, Laura Porto, esse leilão de transmissão deverá ser decisivo e poderá direcionar os próximos investimentos na expansão do setor eólico no país. “Todos estamos curiosos para saber as empresas que participarão desse leilão, naturalmente as condições estão mais atrativa”, comentou a executiva. “Todo o setor elétrico está na expectativa porque podemos ter até mesmo novos players no Brasil desde que tenham experiência, o que é muito importante, pois transmissão é um ativo complexo dado que tem prazos agressivos, questões fundiárias, arqueológicas e o projeto tem que estar bem estruturado para cumprir com os prazos”, afirmou.

E no atual momento da economia brasileira com as estatais federais ainda afastadas dessas disputas, as empresas chinesas surgem como possíveis candidatas. Há ainda a perspectiva de que novos consórcios sejam formados para a participação nesses leilões. “Essa será uma questão importante para saber qual será o caminho do setor”, complementou a diretora da empresa.

A Força Eólica do Brasil é uma joint venture formada pela espanhola Iberdrola e a brasileira Neoenergia e que espera a realização desse leilão para efetivamente ver quais passos poderão ser dados. Até porque suas áreas de investimentos estão, principalmente, no Rio Grande do Norte e na Bahia e há a restrição de que para participar de leilões é preciso ser assegurada a conexão. Segundo Laura, a realização do certame antes da disputa de expansão de geração é um bom indicativo, pois mitiga pelo menos um dos riscos, o da conexão.

“Dependendo do resultado do leilão não será uma restrição de expansão apenas para nós, mas para o setor eólico como um todo”, disse ao lembrar que o ano de 2016 tem dois focos de preocupação do setor, o de manutenção do nível de contratação dos fabricantes no país e a capacidade de escoamento da energia.

Na avaliação de Laura Porto, a Agência Nacional de Energia Elétrica já fez a sua parte que foi a de rever os valores e os estudos de projetos. Agora é esperar para ver como os investidores se comportam para ver quais deverão ser os caminhos do setor.

A executiva não revela quais devem ser os planos da FEB para os leilões, mas afirma que há 1,8 GW em seu pipeline de projetos em diferentes níveis de maturidade. A preferência da empresa é justamente por parques novos apesar de admitir que já avaliaram possibilidades de aquisições no setor. Contudo, destaca que a companhia não está fechada para essa modalidade de crescimento de seu parque de geração, mas que a preferência seja por novos projetos.